Vida

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sábado, 12 de abril de 2014

Dedico o meu dia a você....

Dedico a uma paciente que no inicio do plantão estava em franco trabalho de parto normal, ao qual na minha visita, percebi com a experiência que adquirimos com o tempo, que estava com muita dor, porém não reclamava de nada! Simplesmente nas contrações mudava de posição, e com o olhar de dor aguardava chegar a sua vez de ser examinada. Então priorizei seu exame.
Tem 32 anos, sua quinta gestação, já passou por quatro partos normais e sabia bem que não adiantava gritar, pois a dor do trabalho de parto não aliviava com os gritos apenas respirava profundamente. O lençol estava completamente molhado devido ao suor que extravasava do seu corpo.
Fiz o exame do toque e estava com dilatação total, bolsa ainda íntegra, e o coração do seu bebê batia forte!
Olhei nos seus olhos e disse: " Esta na hora, vamos levá-la para outra sala para conhecermos este rapaizinho que quer nascer!"
E assim foi encaminhada, estava acompanhada do esposo, e pude notar que tinha muitas varizes com trombos nas suas pernas e no decorrer do expulsivo queixava-se de caimbras.
Então sugeri o parto lateral, ela por sua vez aceitou, mudou de posição e disse que não estava mais sentindo tantas caimbras. 
Fiz o rompimento da bolsa das águas, e não demorou muito, nasceu o pequeno Leonardo, com 3600kg, choro forte, de parto lateral, colocado imediatamente sob o ventre de sua mãe para o contato pele a pele; A mãe muito serena, o pai ansioso cortou o cordão umbilical onde ligava seu filho a sua esposa...
O pai chorou muito ao ouvir o choro do seu filho, a mãe aliviada passava a mão em sua cabecinha como fosse o primeiro filho...
Pude notar que mesmo tão jovem e com tantos filhos podia ter certeza que todos tinham o seu valor. A cada parto fico grata com tantas experiências... Carrego não só o parto mas a emoção da  vida de cada bebê que nasce através de minhas mãos, e pacientes simples que passam por mim, cada uma com sua história de vida.
O ato de dar à luz já deixou de ser algo a esconder, a realidade do parto ganhou mais aceitação e é algo de que muitas mães se orgulham.
E eu como enfermeira obstetra tenho obrigação de poder permitir que ela tenha o seu bebê da forma que quiser...

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