Vida

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terça-feira, 17 de junho de 2014

Uma gigante chamada Milena...

Hoje dedico o meu dia a você Michele...
Plantão abençoado onde todas que chegavam estavam em trabalho de parto, e para uma obstetriz a felicidade é ter partos sem complicações onde a mãe e o bebê fiquem bem....
Todos estavam nascendo e a Michele na sua ansiedade de quintagesta gritava muito desde o momento que internou. Seu esposo calmo porém com o rosto de casado a todo momento perguntava: "Vai demorar enfermeira, ela está sofrendo muito e eu também..."
Logo tomei a frente da conversa e orientei todo o trabalho de parto, como funcionava e os exercícios aos quais ela teria que realizar.
No decorrer do meu exame obstetrico inicial  pude notar sua altura uterina acima de 38, barriga muito grande, porém ao avaliar a sua bacia, pude notar que era uma bacia boa para o parto vaginal, e ela mesmo já havia adiantado que os outros filhos nasceram grandes e de parto normal, assim continuei a condução do trabalho de parto.
Os bebes das outras pacientes nascendo e nada de nascer o da Michele, estava alto com dilatação 9-10 cm um colo fino mas o bebê não encaixava para que eu pudesse romper sua bolsa das águas. Bom então conversei novamente com o casal e consegui convencê-la a andar e depois ir ao banho para poder completar a sua dilatação e automaticamente ocorrer a descida do seu bebê. Optamos a não entrar com ocitocina, já que o problema não era o motor (dor) e sim o tamanho do bebê.
Assim as 06:30 já quase na virada  do plantão, ela olhou para mim e disse vc vai embora enfermeira e não vai fazer o meu parto...
Então realizei o rompimento artificial da bolsa das águas,saiu muito liquido, mas mesmo achando que era muito liquido o bebe ainda era muito grande.
Não demorou muito, as dores pioraram, nasce as 06:45hs a grande MILENA, de parto normal , sem ocitocina, com 4.710 kg, uma bochechuda, não dava nem para segurar direito, choro forte, corada, saudável, e o mais recompensador a mãe não teve nenhuma laceração, foi de perineo integro. O pai com os olhos úmidos de lagrimas ficou assustado com o tamanho da sua princesa.... Mas como é gratificante poder sair do plantão com a sensação de que pude ajudar a vários bebês a nascerem, dever cumprido, pais felizes, sem ocorrer nenhuma intercorrência...



sexta-feira, 6 de junho de 2014

Mãe criança...

Hoje de dedico meu dia a você Marinalva, nome forte, parece até de mulher, porém uma criança...

Marinalva com 14 anos, dedico o meu dia ao seu parto, não por achar que crianças devam parir mas pela capacidade de ouvir, entender dentro de suas limitações e cooperar...

Conforme estudos, em 2000, o índice de partos em adolescentes aumentou para 18%, ou seja, praticamente dobrou o número de mulheres que engravidam entre os 12 e os 19 anos.
Penso que e tenho certeza, o corpo de uma criança de 14 anos não está pronto para parir, porém cada vez mais elas engravidam, cada vez elas voltam e cada vez mais ficamos com adolescentes despreparadas tendo seus filhos mais precocemente.

No início, é um choque porque a adolescente está vivendo uma fase de transição em busca da própria identidade. Perguntas elementares como “Quem sou?”, “O que estou fazendo aqui?”, “Qual vai ser meu papel neste mundo?”, ainda estão sem respostas e ela se depara tendo de enfrentar uma gravidez que atropela seu desenvolvimento e a obriga também a buscar sua identidade como mãe.

Marinalva lógico acompanhada de sua mãe, tranquila, aparentemente simples, e orientada por sua mãe para não gritar, não chorar pois sabia que a dor era inevitável. E assim ela fez manteve-se calada o tempo inteiro, fazia tudo o que nós orientávamos, a lagrima escorria de seus olhos, mas não podia expor sua dor, não sabia o que era apenas perguntava a todo momento, vcs vão me cortar, para o bebê sair mais rápido...
O trabalho de parto foi acompanhado por mim e minha aluna ao qual estava ansiosa por um parto! Foi um trabalho de parto rápido, tranquilo, apresentou o puxo involuntário, olhava com os olhos arregalados, nao sabia o que estava por vir....
As 00:35 hs nasce a pequena Ana Vitoria, não foi preciso episiotomia, apenas apresentou uma pequena laceração de primeiro grau, coloquei sua filha no seu ventre para o contato pele a pele, a mãe de Marinalva parada deixa um suspiro de alivio sair. Ana Vitoria nasceu corada, chorando forte, fiquei emocionada de ver aquela cena; Sai de cena um corpo de menina e entra agora uma mulher e mãe... Nasceram juntas no mesmo momento!

Não é a desinformação que leva à gravidez na adolescência. Talvez o pensamento mágico dos adolescentes que influencia a maneira de buscar a si mesmos, o imediatismo e a onipotência que lhe são característicos sejam fatores que possam justificar  o número maior de casos. Hoje, não há menina que não saiba que pode engravidar, mas todas imaginam que isso só acontece com as outras, jamais irá acontecer com elas.