Este blog foi criado para contar as minhas experiências como enfermeira Obstetra. Neste cantinho podem ser colocadas emoções, histórias, fotos (autorizados) e poesias. Contarei as minhas vivências com os partos normais por mim realizados. Este blog contará histórias reais, com respeito, pois humanizar é perceber, refletir e respeitar os diversos aspectos culturais, individuais, psíquicos e emocionais da mulher e de sua família.
Vida
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
Força de uma menina...
Hoje vou contar minha experiência com a pessoa mais tranquila que já encontrei, seu nome é Larissa com apenas 14 anos, muito jovem e que não deveria estar passando por uma gestação ou parto, mas a vida está cada vez mais precoce.
Chegou de madrugada e eu escalada no pré-parto.
A recepcionei, apresentava-se tranquila, fiz minhas perguntas de praxe e a examinei.
Estava com 8 cm, com a dinâmica irregular, bolsa das águas integra, e muito tranquila.
Sua mãe estava acompanhando e podia notar que também era muito jovem.
Larissa super colaborativa, fazia todos os exercícios perineais, deambulou, foi varias vezes para o banho terapêutico, me surpreendi com a força e simplicidade desta moça. Tanta doçura, coragem, fragilidade e força no mesmo caldeirão.
Assim chegou o momento tão esperado, seu filho ao qual iria se chamar Kelvin estava prestes a nascer...
Estava na posição semi sentada, os puxos aumentavam, e agora a dor já não era tão controlável, fui orientando sua respiração, busquei seu olhar para poder ter confiança a cada orientação ao qual eu passava.
A mãe ao seu lado sorrindo com os olhos cheios de lagrimas, esperando seu neto , seu primeiro neto chegar,...
Protegi seu perineo, Kelvin já fazia o movimento de báscula, sua cabeça já estava quase saindo, e ela fortemente e involuntariamente fazia força, muita força...
Assim nasceu o pequeno kelvin, coloquei imediatamente sobre sua mãe, no contato pele a pele, foi emocionante, ela sorriu e abraçando seu filho estava claro que agora morria uma menina e nascia uma mulher!
A avó chorava e dizia ela conseguiu.... eu sabia....
O parto humanizado é também chamado de parto ativo. O protagonismo da mulher é muito valorizado e incentivado. `"Ela é dona do processo".
Foi maravilhoso estar presente em mais um parto!
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
Agora é pra valer...
Hospital proíbe manobra de Kristeller e reconhece violência obstétrica
POR GIOVANNA BALOGH
16/12/14 13:34
Um hospital público de São Paulo aboliu neste mês a prática chamada de manobra de Kristeller durante os partos após uma paciente procurar o Ministério Público Federal para relatar as dores que sentiu durante o procedimento.
De acordo com a Procuradoria, o Hospital Geral de Pedreira, na zona sul da cidade, reconheceu que a manobra é uma violência obstétrica. A técnica consiste em pressionar com força a parte superior do útero para agilizar a saída do bebê, o que pode causar lesões graves para a mãe, como fratura de costelas e descolamento da placenta. Já os bebês podem sofrer traumas encefálicos com o procedimento. O hospital estadual é gerido por uma OS (organização social).
A paciente que procurou o MPF relatou que sentiu “dores extremas” durante o procedimento. Segundo a denúncia, o médico que a atendeu subiu duas vezes sobre a sua costela para “empurrar o bebê com os punhos fechados”.
Assim que tiveram conhecimento do caso, as procuradoras Luciana da Costa Pinto e Ana Previtalli recomendaram para a direção da unidade que não fizesse mais a prática e que informasse os profissionais de saúde que o procedimento não deve mais ser usado. A recomendação determinava ainda que os funcionários tivessem um treinamento para oferecer um atendimento mais humanizado para as parturientes. Na unidade de saúde, foram espalhados cartazes de orientação aos pacientes e funcionários dizendo que a “manobra de Kristeller é uma violência obstétrica e, portanto, é contra-indicada”.
Segundo o Ministério da Saúde, a manobra de Kristeller deve ser evitada por ser “ineficaz e algumas vezes prejudiciais”. Mesmo não sendo recomendada, inclusive pelo CFM (Conselho Federal de Medicina), o procedimento é muito comum nas maternidades do país.
De acordo com a pesquisa “Nascer no Brasil”, da Fiocruz, 37% das mulheres tiveram ou o médico ou o auxiliar de enfermagem pressionando a sua barriga durante o parto.
O levantamento, divulgado no ano passado, mostra que a prática é tão comum nas maternidades públicas como nas privadas. A prática é mais comum ainda no Centro-Oeste e no Nordeste onde as taxas foram ainda superiores, ou seja, 45,5% e 40,6%, respectivamente.
As procuradoras acreditam que o combate à adoção da técnica depende tanto dos profissionais de saúde quanto das parturientes. “Os médicos que estão habituados a realizar a manobra de Kristeller devem, com urgência, rever suas práticas”, alerta Ana Previtalli. Para Luciana da Costa Pinto, “as mulheres precisam se informar de que se trata de procedimento perigoso e que não deve ser realizado”. Em caso de ocorrência, as gestantes devem denunciar os fatos na página eletrônica do MPF.
Em março, o MPF abriu um inquérito civil público para investigar os casos de violência obstétrica, como a episiotomia e outros procedimentos sem o consentimento da parturiente.
Quem realizar a técnica, segundo as procuradoras, pode receber sanções administrativas perante os conselhos regionais de medicina, além de ações cíveis e penais se houver danos à saúde da mulher ou do bebê.
Procurada pelo Maternar, a Secretaria de Estado da Saúde não informou se pretende ampliar a restrição do procedimento em outras unidades de saúde.
Fonte: http://maternar.blogfolha.uol.com.br/2014/12/16/hospital-proibe-manobra-de-krilsteller-e-reconhece-violencia-obstetrica/
De acordo com a Procuradoria, o Hospital Geral de Pedreira, na zona sul da cidade, reconheceu que a manobra é uma violência obstétrica. A técnica consiste em pressionar com força a parte superior do útero para agilizar a saída do bebê, o que pode causar lesões graves para a mãe, como fratura de costelas e descolamento da placenta. Já os bebês podem sofrer traumas encefálicos com o procedimento. O hospital estadual é gerido por uma OS (organização social).
A paciente que procurou o MPF relatou que sentiu “dores extremas” durante o procedimento. Segundo a denúncia, o médico que a atendeu subiu duas vezes sobre a sua costela para “empurrar o bebê com os punhos fechados”.
Assim que tiveram conhecimento do caso, as procuradoras Luciana da Costa Pinto e Ana Previtalli recomendaram para a direção da unidade que não fizesse mais a prática e que informasse os profissionais de saúde que o procedimento não deve mais ser usado. A recomendação determinava ainda que os funcionários tivessem um treinamento para oferecer um atendimento mais humanizado para as parturientes. Na unidade de saúde, foram espalhados cartazes de orientação aos pacientes e funcionários dizendo que a “manobra de Kristeller é uma violência obstétrica e, portanto, é contra-indicada”.
Segundo o Ministério da Saúde, a manobra de Kristeller deve ser evitada por ser “ineficaz e algumas vezes prejudiciais”. Mesmo não sendo recomendada, inclusive pelo CFM (Conselho Federal de Medicina), o procedimento é muito comum nas maternidades do país.
De acordo com a pesquisa “Nascer no Brasil”, da Fiocruz, 37% das mulheres tiveram ou o médico ou o auxiliar de enfermagem pressionando a sua barriga durante o parto.
O levantamento, divulgado no ano passado, mostra que a prática é tão comum nas maternidades públicas como nas privadas. A prática é mais comum ainda no Centro-Oeste e no Nordeste onde as taxas foram ainda superiores, ou seja, 45,5% e 40,6%, respectivamente.
As procuradoras acreditam que o combate à adoção da técnica depende tanto dos profissionais de saúde quanto das parturientes. “Os médicos que estão habituados a realizar a manobra de Kristeller devem, com urgência, rever suas práticas”, alerta Ana Previtalli. Para Luciana da Costa Pinto, “as mulheres precisam se informar de que se trata de procedimento perigoso e que não deve ser realizado”. Em caso de ocorrência, as gestantes devem denunciar os fatos na página eletrônica do MPF.
Em março, o MPF abriu um inquérito civil público para investigar os casos de violência obstétrica, como a episiotomia e outros procedimentos sem o consentimento da parturiente.
Quem realizar a técnica, segundo as procuradoras, pode receber sanções administrativas perante os conselhos regionais de medicina, além de ações cíveis e penais se houver danos à saúde da mulher ou do bebê.
Procurada pelo Maternar, a Secretaria de Estado da Saúde não informou se pretende ampliar a restrição do procedimento em outras unidades de saúde.
Fonte: http://maternar.blogfolha.uol.com.br/2014/12/16/hospital-proibe-manobra-de-krilsteller-e-reconhece-violencia-obstetrica/
sábado, 6 de dezembro de 2014
A deficiência com eficiência....
Hoje meu dia foi dedicado a você Claudia... e ao seu pequeno Eduardo....
Ao chegar ao plantão pude notar sua calma, tranquilidade e silêncio, e então ao me apresentar e tentar conversar pude perceber que algo estranho estava acontecendo, perguntas eu fazia e a Claudia não conseguia me entender... Foi então que sua acompanhante disse ela tem deficiência auditiva.
Foi então que eu mudei meu modo de abordar, precisava passar minhas orientações porém Claudia não entendia nada, mas através de sua acompanhante pude orientá-la de uma forma mais eficiente.
Ao decorrer do plantão suas dores aumentavam e a tolerância a dor era incrível...
Não pude oferecer um espaço exclusivo para ambas mas fiz com que fosse algo único e confortável.
As dores aumentavam, mas sua aparência serena não modificava mesmo sendo sua primeira gestação... Muito colaborativa fazia tudo o que era explicado para facilitar seu parto...
Ao examiná-la já estava com dilatação total, porém ainda o bebê estava alto e aos poucos descia conforme suas forças de puxo. Fiquei mais de perto apoiando e conduzindo... E assim logo pude realizar o parto de Claudia e foi realmente um prazer... Nasceu o pequeno Eduardo, de parto normal, choro forte, corado com o peso de 3300Kg e coloquei imediatamente ao seu ventre e fiz o contato pele a pele, foi lindo, seus olhos em contato com os de Eduardo sem dizer uma só palavra, porém não era preciso, tenho certeza que Eduardo era um bebê muito esperado, e por ter uma mãe especial ao qual foi guerreira e não desistiu do parto normal em nenhum momento...
Obrigada Claudia por me proporcionar um momento tão mágico.
"É impressionante o espanto da sociedade em geral sobre o fato de que mulheres com deficiência, inclusive física, podem engravidar e ser mães. Isso pode nos fazer refletir o quanto a marca da deficiência se sobrepõe à pessoa humana. Portanto, vale dizer: mulheres com deficiência podem engravidar".
"Não importa o tipo de deficiência, seja física, visual, auditiva ou intelectual, elas continuam sendo mulheres e, se assim desejarem, podem viver a experiência da maternidade".
É super importante a cidadania e o fortalecimento da participação da pessoa com deficiência na sociedade.
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