Vida

Vida

terça-feira, 22 de abril de 2014

Família da Atualidade.... Mães que parem sozinhas...

Hoje dedico o meu dia a uma paciente que foge um pouco do "normal", se há normalidade em relacionamento....
Estava já internada desde cedo, seu nome Susy, em trabalho de parto e desacompanhada. Ao chegar no plantão fui direto ao seu quarto para examiná-la já que a minha técnica me informou que a paciente estava com vontade de fazer "cocô". Neste caso poderia já estar com dilatação total e iria nascer....
Entrei no quarto me apresentei e comecei o meu exame físico e obstétrico, não estava ainda com dilatação total mas devido o bebê estar bem baixinho ela tinha a sensação de vontade de evacuar, fiz as orientações pertinentes e encaminhei ao banho de chuveiro já que estava com dores fortes, dilatação de 8 cm e em franco trabalho de parto.
Estava no banho e um visitante apareceu perguntando pela Susy, então perguntei o senhor é o que dela? Ele respondeu sou um amigo. Então informei que teria que esperar já que a mesma estava no banho. Fui ao quarto e informei para a Susy que um amigo estava no aguardo da visita, ela perguntou o nome e disse pode entrar enfermeira. Parei e olhei para ela e disse mas tudo bem um amigo vê-la pelada ao banho? A mesma sorriu e disse ele falou amigo?! Não ele é o pai do meu bebê! Voltei e olhei para aquele rapaz e perguntei mas o senhor é amigo ou pai do bebê? Ele com desdem disse " É sou o pai do bebê, mas não moro com ela...". Liberei sua entrada e fiquei analisando aquela situação...

Na maioria das vezes, percebo que as pessoas que se encontram em relacionamentos desajustados, com intenções diferentes, de certa forma já sabiam que isso aconteceria e, mesmo assim, insistiram em iniciar uma relação fadada ao fracasso. Infelizmente, muitos homens alegam não ter quaisquer responsabilidades na questão da reprodução.Evitar a gravidez e se proteger nas relações sexuais é, para tais homens, uma tarefa exclusivamente feminina. 
Durante o trabalho de parto o homem ficou ao seu lado, ela mais tranquila porém com dor deixou que a acompanhasse, parecendo que uma chance de volta poderia surgir. Nasceu o bebê de parto normal, pesando 2900Kg, o nome ela decidiu no momento do parto "Endrew", escolheu sozinha, o pai não quis escolher.
Fiz uma episiotomia por ter indicação e expliquei os cuidados a ela após a sutura, o pai do bebê ficou calado todo o momento... não esboçou nenhuma reação... 
Saí da sala de parto e com sentimento de tristeza apenas pensei mais um bebê sem pai no mundo...


domingo, 20 de abril de 2014

O ato de Humanizar ...

Hoje dedico meu dia a duas mulheres:

Uma chamada de Vanessa, que pariu sua filha Kemilly de 4.280 KG, de parto normal, sem ajuda de ocitócitos, com episiotomia lateral, acompanhada do marido, que ficou ao seu lado o tempo todo, devido não ter tido tempo de levá-la ao convênio médico. Kemilly nasceu vigorosa, corada, chorando forte. O pai cortou o cordão de sua filha, sorriu, participou. Casal novo porém unido, sendo que já era o segundo filho do casal.

E a outra chamada Marizete, que pariu sozinha, sem acompanhante, em silêncio, sua pequena Maria Eduarda com 2.900KG, de parto normal, sem lacerações ou episotomia, tve o períneo integro, sem gritar, chorar apenas abraçou sua bebê com força, dizendo "que pequena minha princesa".

Essas duas mulheres fortes, determinadas, a primeira chegou com dilatação total e a segunda em trabalho de parto há 12 horas sem reclamar ou indagar tal demora.
 Pude participar de momento diferentes ao qual as duas estavam parindo suas filhas na páscoa, momento ao qual não tinham idéia de que estariam tendo suas filhas.
A primeira amparada pelo esposo cuidadoso a outra sozinha sem acompanhante.
Tentei ficar mais próxima de Marizete, ela com aquele olhar de dor, porém controlado, confiou no meu trabalho, atendeu a todas a minhas orientações...

No parto humanizado o atendimento é centrado na mulher, que é tratada com respeito e de forma carinhosa, podendo desfrutar da companhia da família, caminhar, tomar banho de chuveiro ou banheira para aliviar as dores. As intervenções de medicamento, aceleração do parto ou mesmo o tradicional corte vaginal acontece somente quando é estritamente necessário.

As duas tão diferentes, mas em momentos tão parecidos. O meu papel como enfermeira não é julgar, apenas realizar o meu trabalho com humanização conforme a situação de cada mulher.

Humanizar é acreditar na fisiologia da gestação e do parto.
Humanizar é respeitar esta fisiologia, e apenas acompanhá-la.
Humanizar é perceber, refletir e respeitar os diversos aspectos culturais, individuais, psíquicos e emocionais da mulher e de sua família.
Humanizar é devolver o protagonismo do parto à mulher.
É garantir-lhe o direito de conhecimento e escolha.


quarta-feira, 16 de abril de 2014

O emocional no trabalho de parto....

Hoje dedico meu dia a um parto ao qual me marcou... 
Apesar de ter tido vários partos no plantão em torno de 10 partos, esse realmente valeu o plantão tumultuado. O nome dela é Marta; 
Estava com o braço e a perna imobilizada devido há um acidente de moto,  ao qual teve que ser realizado cirurgia. Apesar do quadro de imobilização, estava no começo do plantão tranquila, acompanhada da irmã, e estava com 35 semanas, neste caso um trabalho de parto prematuro expectante, já que sua bolsa já havia rompido.
Ao seguir o plantão, a irmã me procurou e disse que as dores de Marta haviam aumentado e muito, fui examiná-la e ao realizar o toque pude constatar que já estava com 4 cm com o colo fino, isto significava que com as dores ela iria dilatar rápido.
Marta já não estava tão amigável ou tranquila, chorava muito e pedia remédios para poder passar a dor do trabalho de parto, expliquei que poderia medicá-la, lógico porém no franco trabalho de parto os remédios não fazem efeito já que o bebê queria nascer. O trabalho de parto de Marta estava taquitócico ou precipitado, dores intensas, não podia levantar devido sua perna imobilizada, descompensada com a dor, mas já estava com 9 cm, começo a pular da cama, falava que queria se matar, pedia para matá-la, batia em seu rosto com a tala de seu braço, tentávamos acalmá-la sem sucesso, mas até que o bebê já começa a nascer, e assim olhei fixamente em seus olhos e disse: "Marta confie em mim e tudo vai dar certo, sei da sua dor, sei do seu medo mas você vai conseguir..." E assim nasce o pequeno bebê ao qual não tinha nome ainda, mas após seu desprendimento, Marta acalmou-se, chorou e abraçou seu bebê!. Fiquei ao seu lado o tempo todo para não ter surpresas com suas atitudes inesperadas. O bebê pequeno de tamanho, peso e idade gestacional, foi encaminhado há UTI para poder receber cuidados intensivos e a mãe encaminhada a maternidade.
"O trabalho de parto é, para a mulher, um momento de transformações físicas e intensidade emocional, em que ela pode experimentar diferentes sentimentos e sensações, tais como medo, angústia, alegria, tristeza e alívio de diferentes formas, desde a contenção à expressão de sensações físicas e emocionais. Dessa forma, a parturição constitui um fenômeno no qual os fatores fisiológicos, sociais, culturais e psicológicos interagem ao longo do trabalho de parto".
 





terça-feira, 15 de abril de 2014

Está mais perto do que imaginamos...
Violência Obstétrica.

A Violência não começa somente na hora da condução do parto, ele já começa no pré-natal, onde alguns profissionais indicam cesáreas desnecessárias, devido a sua agenda, sua impaciência, sua comodidade e etc...
Fica cada vez mais claro que a violência obstétrica pode se manifestar no impedimento de ter um acompanhante no parto, na falta de liberdade para escolher onde e como parir, na privação de água e alimentação, na falta de um carinho no momento da dor, no protagonismo que não foi permitido. 
Muitas mulheres sofrem caladas essas e outras violências vividas no corpo e na alma em um momento de suas vidas em que deveriam se sentir plenas, respeitadas e renascendo junto a seus filhos.
Suas histórias retratadas em partes de seus corpos, em uma linguagem que as trata de forma serializada, anônima e sem considerar sua individualidade, assim como fazem os protocolos médicos nas maternidades públicas e privadas brasileiras. Fonte: http://carlaraiter.com
Tudo isso pode acontecer com sua mãe, sua tia, sua prima, sua irmã, vizinha, amiga e etc...
Vamos mudar esta realidade, vamos gritar pela liberdade de poder parir da forma que quiser... sem tortura, sem ameaças ou desrespeit

sábado, 12 de abril de 2014

Dedico o meu dia a você....

Dedico a uma paciente que no inicio do plantão estava em franco trabalho de parto normal, ao qual na minha visita, percebi com a experiência que adquirimos com o tempo, que estava com muita dor, porém não reclamava de nada! Simplesmente nas contrações mudava de posição, e com o olhar de dor aguardava chegar a sua vez de ser examinada. Então priorizei seu exame.
Tem 32 anos, sua quinta gestação, já passou por quatro partos normais e sabia bem que não adiantava gritar, pois a dor do trabalho de parto não aliviava com os gritos apenas respirava profundamente. O lençol estava completamente molhado devido ao suor que extravasava do seu corpo.
Fiz o exame do toque e estava com dilatação total, bolsa ainda íntegra, e o coração do seu bebê batia forte!
Olhei nos seus olhos e disse: " Esta na hora, vamos levá-la para outra sala para conhecermos este rapaizinho que quer nascer!"
E assim foi encaminhada, estava acompanhada do esposo, e pude notar que tinha muitas varizes com trombos nas suas pernas e no decorrer do expulsivo queixava-se de caimbras.
Então sugeri o parto lateral, ela por sua vez aceitou, mudou de posição e disse que não estava mais sentindo tantas caimbras. 
Fiz o rompimento da bolsa das águas, e não demorou muito, nasceu o pequeno Leonardo, com 3600kg, choro forte, de parto lateral, colocado imediatamente sob o ventre de sua mãe para o contato pele a pele; A mãe muito serena, o pai ansioso cortou o cordão umbilical onde ligava seu filho a sua esposa...
O pai chorou muito ao ouvir o choro do seu filho, a mãe aliviada passava a mão em sua cabecinha como fosse o primeiro filho...
Pude notar que mesmo tão jovem e com tantos filhos podia ter certeza que todos tinham o seu valor. A cada parto fico grata com tantas experiências... Carrego não só o parto mas a emoção da  vida de cada bebê que nasce através de minhas mãos, e pacientes simples que passam por mim, cada uma com sua história de vida.
O ato de dar à luz já deixou de ser algo a esconder, a realidade do parto ganhou mais aceitação e é algo de que muitas mães se orgulham.
E eu como enfermeira obstetra tenho obrigação de poder permitir que ela tenha o seu bebê da forma que quiser...

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Passo a passo...


Deus é perfeito....


Salvando uma vida!!!

Hoje dedico meu dia a uma equipe, especialmente há uma colega mais do que isso uma amiga, também enfermeira Obstetra competente! Ela passou por um momento único ao qual, posso dizer que não foi por acaso, Deus permitiu sua presença naquele lugar e no momento certo.
Chegou na triagem do Hospital uma mãe em expulsivo, porém tudo poderia ser tranquilo, já que expulsivo não há muito o que fazer, pois bebês nascem sozinhos, eu sempre digo somos apenas "goleiros" esperando eles saírem para poder segurá-los.
Porém o expulsivo era de um bebê pélvico, já com metade do corpo exteriorizado, então tinha que finalizar este parto. A equipe médica e de enfermeiras foram chamadas com urgência, e lá estava a minha amiga enfermeira obstetra.
Mas o problema do parto pélvico é cujo os pés e nádegas saírem primeiro, mas a cabeça, maior que o esperado, ficar presa no canal ósseo do parto causando uma saída traumática, então isso foi o que aconteceu, a plantonista com experiência, fez as manobras do parto pélvico e ao retirar o bebê foi logo detectado que o recém-nascido não tinha batimentos cardíacos!
Toda equipe triste, mas a enfermeira ao examinar juntamente com o neonatologista, pode notar que o bebê tinha batimentos cardíacos, fracos porém presentes. Iniciou imediatamente a massagem cardíaca e encaminhou este feto sobre o ventre da mãe com rapidez para o setor, já que teria que pegar um elevador.
No momento ela relata " Meu Deus está vivo, tenho que ajudar..." e assim fez, salvou uma vida!
Parabéns equipe!  


terça-feira, 8 de abril de 2014

Grávidas protestam a favor do parto humanizado: 'não é frescura'

Fonte: http://g1.globo.com/

Um protesto a favor da humanização do parto foi realizado na manhã deste domingo (6) emSantos, no litoral de São Paulo. A manifestação, que foi organizada por meio de uma rede social e a princípio reuniria apenas gestantes, foi estendida às famílias das grávidas, e contou com a participação de maridos, filhos pequenos e até avós.
Os participantes se concentraram na Praça da Independência, às 10h. Lá, iniciaram uma caminhada até a Casa de Saúde de Santos, na Avenida Conselheiro Nébias, local escolhido por ter anunciado o fechamento do pronto-socorro obstétrico a partir de maio, interrompendo os atendimentos emergenciais no hospital. Dois dias após o anúncio, uma grávida em trabalho de parto teve o atendimento negado em um primeiro momento, mas o hospital acabou voltando atrás e realizando o parto.
De acordo com a organizadora do protesto, a jornalista e professora de yoga Adriana Vieira, a estrutura para o atendimento às gestantes da Baixada Santista é precária. “A maternidade do Hospital Beneficência Portuguesa fechou no ano passado, e agora tivemos esse problema com a Casa de Saúde. Se não for tomada uma providência do poder público, mulheres e bebês vão acabar morrendo. É isso que nós tentamos evitar”, esclarece.
A lista de reivindicações das grávidas é longa, mas todos os itens estão relacionados ao parto humanizado (ou parto normal). Adriana conta que os hospitais, principalmente da cidade, criam restrições para as gestantes que não têm cesáreas marcadas. “O trabalho de parto é um processo demorado. As mulheres em geral têm medo da dor, mas há maneiras de dar segurança para a grávida, como o contato com o marido na hora do parto. A presença da doula, que é uma auxiliar da grávida, também é essencial, mas muitos hospitais barram a entrada delas”, diz Adriana.
Alguns aparelhos também auxiliam as parturientes no processo. “A bola de pilates, o chuveiro ou uma banheira de água quente são importantes no trabalho de parto”, explica a organizadora do protesto. Mas, o uso de alguns destes métodos também é vetado pelas maternidades. “Querem que a gente fique deitada na cama tomando soro, mas é errado”, acrescenta a jornalista.
Patrícia e Natália participaram do protesto (Foto: Jéssica Bitencourt / G1)Patrícia e Natália participaram do protesto
(Foto: Jéssica Bitencourt / G1)
Resultados
A manifestação realizada nesta manhã é o primeiro passo que as gestantes deram em busca dos seus direitos. Patrícia Simões, uma das grávidas que participou do protesto, avisa que o próximo encontro das futuras mamães será na Câmara Municipal. “Em uma audiência pública, com a presença de representantes das unidades hospitalares da cidade e de autoridades. Queremos que tomem providências”, diz. A reunião será no próximo dia 15.
A grávida Natália Peres também esteve no protesto. Para ela, os resultados vão aparecer em longo prazo. “É uma questão de conscientização. Muitas pessoas não entendem a nossa luta por falta de informação, dizem que o uso dos aparelhos é frescura. É um tipo de preconceito”, completa.

O PARTO HUMANIZADO E O DIREITO DE ESCOLHA DA MULHER

Fonte: 19 Jan 2014 . 10:30 h . Clarice Manhã . 

Gestantes esbarram na dificuldade de encontrar profissionais com disponibilidade e reclamam da ‘indução’ à intervenção cirúrgica. Para médicos, procedimento não compensa.

Manaus - Mesmo sendo o Estado com maior número de partos domiciliares do Brasil, hoje o Amazonas está no topo do ranking na realização de cesáreas, contrariando a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS). As mães que optam pelo nascimento natural esbarram na dificuldade de encontrar profissionais com disponibilidade e reclamam da ‘indução’ à intervenção cirúrgica nos consultórios médicos.
Uma pesquisa da Agência Nacional de Saúde (ANS) mostrou que 70% das gestantes chegam aos consultórios com o desejo de dar à luz pelo parto normal. Mas, no último trimestre da gravidez, somente 30% delas mantém a decisão. A rede pública em Manaus registra em torno de 40% de nascimentos via cesárea. Nos hospitais particulares, este índice sobe para 60%, segundo dados do Ministério da Saúde. A OMS recomenda a intervenção cirúrgica para apenas 15% dos casos.
Dados do Ministério da Saúde mostram que as mulheres submetidas à cesariana têm 3,5 vezes mais probabilidade de morrer no parto e cinco vezes mais chances de ter infecção no aparelho genital depois do nascimento do bebê. Além disso, a prática de agendamento da cirurgia aumenta o risco de nascerem bebês prematuros.


Criança tendo criança...



Hoje dedico o meu dia a um principe chamado Bernardo.
Sua mãe chamada Aline com 17 anos, chegou com 9 cm, a principio calma, acompanhada de sua mãe que parecia mais sua irmã, super jovem, descolada, com tatoos, piercing, mas acima de tudo muito  tranquila.
Aline já com bolsa rota de horas, não sabia informar horário que perdeu liquido porém sabia que tinha perdido em casa.
Me apresentei, orientei e comecei a conduzir o trabalho de parto, sabia que seria rápido porém, como não sabia realizar a força corretamente acabava se cansando muito e assim ficava ansiosa e agitada, e dizia a todo momento... "Mãe não vou conseguir".
A mãe por sua vez não deixava a peteca cair sempre dando força e lembrando que ela havia passado por isso também na adolescência com 15 anos.
Pude notar que as duas tinham um vinculo muito forte! Considerando que a gestante adolescente apresenta especificidades fisiológicas e maturidade emocional diferente das mulheres na idade adulta, a mãe ajudou muito no expulsivo.
Nasce assim o pequeno Bernardo, saudável, corado e com choro forte!
Agora podia ver um sorriso de Aline abraçada com o seu bonequinho e realmente parecia um bonequinho, ela nem ligou que ele estava sujinho... A neo assistiu e esperou a entrega do recém-nascido para poder examiná-lo, pois Aline não queria desgrudar do seu bebê!
 "Considera-se que a presença de um acompanhante durante o processo de parturição é uma prática extremamente útil no parto normal, pois além de deixar a parturiente mais tranquila e segura, permite a participação e o envolvimento da família no processo. No entanto, apesar deste direito estar garantido, nem sempre o acompanhante recebe orientações necessárias para poder contribuir de forma efetiva neste processo".


domingo, 6 de abril de 2014

Escapando pelos dedos...

Hoje dedico o meu dia para um casal ao qual estavam em um momento que ninguém gostaria de estar, em trabalho de parto extremamente prematuro. Ela chegou já com dilatação total e apenas 21 semanas (5 meses)!
Com 21 semanas de gestação o bebê pesa entre 300 e 350 gramas e tem ao redor de 23 cm, o comprimento e o peso de uma banana.
Chorando muito a mãe de mãos dadas com sua mãe tremia e diziam uma á outra você vai segurar este bebê se Deus quiser.
Tudo o que foi explicado na sua internação parecia que não queria entender, mas não queria enxergar a verdadeira realidade de poder perder o seu filho.
Chegou ainda com a bolsa integra, então foi imediatamente encaminhada para um leito com acompanhante e totalmente em repouso absoluto. Mas as dores não cessavam, estava em franco trabalho de parto. Foi então que de madrugada expeliu o feto pesando 400 grs. tão pequeno e indefeso porém sem batimento cardíaco. Acabei dando a noticia a mãe e ao pai, confusos e tontos pareciam não acreditar... Mas a verdade estava lá e não poderiam fugir, a mãe pediu para ver seu filho, expliquei que era muito pequeno e seu desenvolvimento fetal não era completo, então chorou sem escândalo, um choro contido, apenas estava sentindo a dor, dor da alma... Ai pergunto: O que é ser quase mãe? Como é ter um filho que nasceu e perdê-lo?...
É a morte de quem se quer existiu para a sociedade; mas para quem o deseja, já tem nome, sexo, cores de roupas, planos futuros..., pelo simples fato de ter carregado em seu ventre...
Pra mim estes parto são os mais difíceis, pois não é simplesmente fazê-los e participar de uma dor imensa ao qual transborda para toda a equipe...