Gestantes esbarram na dificuldade de encontrar profissionais com disponibilidade e reclamam da ‘indução’ à intervenção cirúrgica. Para médicos, procedimento não compensa.
Manaus - Mesmo sendo o Estado com maior número de partos domiciliares do Brasil, hoje o Amazonas está no topo do ranking na realização de cesáreas, contrariando a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS). As mães que optam pelo nascimento natural esbarram na dificuldade de encontrar profissionais com disponibilidade e reclamam da ‘indução’ à intervenção cirúrgica nos consultórios médicos.
Uma pesquisa da Agência Nacional de Saúde (ANS) mostrou que 70% das gestantes chegam aos consultórios com o desejo de dar à luz pelo parto normal. Mas, no último trimestre da gravidez, somente 30% delas mantém a decisão. A rede pública em Manaus registra em torno de 40% de nascimentos via cesárea. Nos hospitais particulares, este índice sobe para 60%, segundo dados do Ministério da Saúde. A OMS recomenda a intervenção cirúrgica para apenas 15% dos casos.
Dados do Ministério da Saúde mostram que as mulheres submetidas à cesariana têm 3,5 vezes mais probabilidade de morrer no parto e cinco vezes mais chances de ter infecção no aparelho genital depois do nascimento do bebê. Além disso, a prática de agendamento da cirurgia aumenta o risco de nascerem bebês prematuros.
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