Este blog foi criado para contar as minhas experiências como enfermeira Obstetra. Neste cantinho podem ser colocadas emoções, histórias, fotos (autorizados) e poesias. Contarei as minhas vivências com os partos normais por mim realizados. Este blog contará histórias reais, com respeito, pois humanizar é perceber, refletir e respeitar os diversos aspectos culturais, individuais, psíquicos e emocionais da mulher e de sua família.
Vida
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
Força de uma menina...
Hoje vou contar minha experiência com a pessoa mais tranquila que já encontrei, seu nome é Larissa com apenas 14 anos, muito jovem e que não deveria estar passando por uma gestação ou parto, mas a vida está cada vez mais precoce.
Chegou de madrugada e eu escalada no pré-parto.
A recepcionei, apresentava-se tranquila, fiz minhas perguntas de praxe e a examinei.
Estava com 8 cm, com a dinâmica irregular, bolsa das águas integra, e muito tranquila.
Sua mãe estava acompanhando e podia notar que também era muito jovem.
Larissa super colaborativa, fazia todos os exercícios perineais, deambulou, foi varias vezes para o banho terapêutico, me surpreendi com a força e simplicidade desta moça. Tanta doçura, coragem, fragilidade e força no mesmo caldeirão.
Assim chegou o momento tão esperado, seu filho ao qual iria se chamar Kelvin estava prestes a nascer...
Estava na posição semi sentada, os puxos aumentavam, e agora a dor já não era tão controlável, fui orientando sua respiração, busquei seu olhar para poder ter confiança a cada orientação ao qual eu passava.
A mãe ao seu lado sorrindo com os olhos cheios de lagrimas, esperando seu neto , seu primeiro neto chegar,...
Protegi seu perineo, Kelvin já fazia o movimento de báscula, sua cabeça já estava quase saindo, e ela fortemente e involuntariamente fazia força, muita força...
Assim nasceu o pequeno kelvin, coloquei imediatamente sobre sua mãe, no contato pele a pele, foi emocionante, ela sorriu e abraçando seu filho estava claro que agora morria uma menina e nascia uma mulher!
A avó chorava e dizia ela conseguiu.... eu sabia....
O parto humanizado é também chamado de parto ativo. O protagonismo da mulher é muito valorizado e incentivado. `"Ela é dona do processo".
Foi maravilhoso estar presente em mais um parto!
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
Agora é pra valer...
Hospital proíbe manobra de Kristeller e reconhece violência obstétrica
POR GIOVANNA BALOGH
16/12/14 13:34
Um hospital público de São Paulo aboliu neste mês a prática chamada de manobra de Kristeller durante os partos após uma paciente procurar o Ministério Público Federal para relatar as dores que sentiu durante o procedimento.
De acordo com a Procuradoria, o Hospital Geral de Pedreira, na zona sul da cidade, reconheceu que a manobra é uma violência obstétrica. A técnica consiste em pressionar com força a parte superior do útero para agilizar a saída do bebê, o que pode causar lesões graves para a mãe, como fratura de costelas e descolamento da placenta. Já os bebês podem sofrer traumas encefálicos com o procedimento. O hospital estadual é gerido por uma OS (organização social).
A paciente que procurou o MPF relatou que sentiu “dores extremas” durante o procedimento. Segundo a denúncia, o médico que a atendeu subiu duas vezes sobre a sua costela para “empurrar o bebê com os punhos fechados”.
Assim que tiveram conhecimento do caso, as procuradoras Luciana da Costa Pinto e Ana Previtalli recomendaram para a direção da unidade que não fizesse mais a prática e que informasse os profissionais de saúde que o procedimento não deve mais ser usado. A recomendação determinava ainda que os funcionários tivessem um treinamento para oferecer um atendimento mais humanizado para as parturientes. Na unidade de saúde, foram espalhados cartazes de orientação aos pacientes e funcionários dizendo que a “manobra de Kristeller é uma violência obstétrica e, portanto, é contra-indicada”.
Segundo o Ministério da Saúde, a manobra de Kristeller deve ser evitada por ser “ineficaz e algumas vezes prejudiciais”. Mesmo não sendo recomendada, inclusive pelo CFM (Conselho Federal de Medicina), o procedimento é muito comum nas maternidades do país.
De acordo com a pesquisa “Nascer no Brasil”, da Fiocruz, 37% das mulheres tiveram ou o médico ou o auxiliar de enfermagem pressionando a sua barriga durante o parto.
O levantamento, divulgado no ano passado, mostra que a prática é tão comum nas maternidades públicas como nas privadas. A prática é mais comum ainda no Centro-Oeste e no Nordeste onde as taxas foram ainda superiores, ou seja, 45,5% e 40,6%, respectivamente.
As procuradoras acreditam que o combate à adoção da técnica depende tanto dos profissionais de saúde quanto das parturientes. “Os médicos que estão habituados a realizar a manobra de Kristeller devem, com urgência, rever suas práticas”, alerta Ana Previtalli. Para Luciana da Costa Pinto, “as mulheres precisam se informar de que se trata de procedimento perigoso e que não deve ser realizado”. Em caso de ocorrência, as gestantes devem denunciar os fatos na página eletrônica do MPF.
Em março, o MPF abriu um inquérito civil público para investigar os casos de violência obstétrica, como a episiotomia e outros procedimentos sem o consentimento da parturiente.
Quem realizar a técnica, segundo as procuradoras, pode receber sanções administrativas perante os conselhos regionais de medicina, além de ações cíveis e penais se houver danos à saúde da mulher ou do bebê.
Procurada pelo Maternar, a Secretaria de Estado da Saúde não informou se pretende ampliar a restrição do procedimento em outras unidades de saúde.
Fonte: http://maternar.blogfolha.uol.com.br/2014/12/16/hospital-proibe-manobra-de-krilsteller-e-reconhece-violencia-obstetrica/
De acordo com a Procuradoria, o Hospital Geral de Pedreira, na zona sul da cidade, reconheceu que a manobra é uma violência obstétrica. A técnica consiste em pressionar com força a parte superior do útero para agilizar a saída do bebê, o que pode causar lesões graves para a mãe, como fratura de costelas e descolamento da placenta. Já os bebês podem sofrer traumas encefálicos com o procedimento. O hospital estadual é gerido por uma OS (organização social).
A paciente que procurou o MPF relatou que sentiu “dores extremas” durante o procedimento. Segundo a denúncia, o médico que a atendeu subiu duas vezes sobre a sua costela para “empurrar o bebê com os punhos fechados”.
Assim que tiveram conhecimento do caso, as procuradoras Luciana da Costa Pinto e Ana Previtalli recomendaram para a direção da unidade que não fizesse mais a prática e que informasse os profissionais de saúde que o procedimento não deve mais ser usado. A recomendação determinava ainda que os funcionários tivessem um treinamento para oferecer um atendimento mais humanizado para as parturientes. Na unidade de saúde, foram espalhados cartazes de orientação aos pacientes e funcionários dizendo que a “manobra de Kristeller é uma violência obstétrica e, portanto, é contra-indicada”.
Segundo o Ministério da Saúde, a manobra de Kristeller deve ser evitada por ser “ineficaz e algumas vezes prejudiciais”. Mesmo não sendo recomendada, inclusive pelo CFM (Conselho Federal de Medicina), o procedimento é muito comum nas maternidades do país.
De acordo com a pesquisa “Nascer no Brasil”, da Fiocruz, 37% das mulheres tiveram ou o médico ou o auxiliar de enfermagem pressionando a sua barriga durante o parto.
O levantamento, divulgado no ano passado, mostra que a prática é tão comum nas maternidades públicas como nas privadas. A prática é mais comum ainda no Centro-Oeste e no Nordeste onde as taxas foram ainda superiores, ou seja, 45,5% e 40,6%, respectivamente.
As procuradoras acreditam que o combate à adoção da técnica depende tanto dos profissionais de saúde quanto das parturientes. “Os médicos que estão habituados a realizar a manobra de Kristeller devem, com urgência, rever suas práticas”, alerta Ana Previtalli. Para Luciana da Costa Pinto, “as mulheres precisam se informar de que se trata de procedimento perigoso e que não deve ser realizado”. Em caso de ocorrência, as gestantes devem denunciar os fatos na página eletrônica do MPF.
Em março, o MPF abriu um inquérito civil público para investigar os casos de violência obstétrica, como a episiotomia e outros procedimentos sem o consentimento da parturiente.
Quem realizar a técnica, segundo as procuradoras, pode receber sanções administrativas perante os conselhos regionais de medicina, além de ações cíveis e penais se houver danos à saúde da mulher ou do bebê.
Procurada pelo Maternar, a Secretaria de Estado da Saúde não informou se pretende ampliar a restrição do procedimento em outras unidades de saúde.
Fonte: http://maternar.blogfolha.uol.com.br/2014/12/16/hospital-proibe-manobra-de-krilsteller-e-reconhece-violencia-obstetrica/
sábado, 6 de dezembro de 2014
A deficiência com eficiência....
Hoje meu dia foi dedicado a você Claudia... e ao seu pequeno Eduardo....
Ao chegar ao plantão pude notar sua calma, tranquilidade e silêncio, e então ao me apresentar e tentar conversar pude perceber que algo estranho estava acontecendo, perguntas eu fazia e a Claudia não conseguia me entender... Foi então que sua acompanhante disse ela tem deficiência auditiva.
Foi então que eu mudei meu modo de abordar, precisava passar minhas orientações porém Claudia não entendia nada, mas através de sua acompanhante pude orientá-la de uma forma mais eficiente.
Ao decorrer do plantão suas dores aumentavam e a tolerância a dor era incrível...
Não pude oferecer um espaço exclusivo para ambas mas fiz com que fosse algo único e confortável.
As dores aumentavam, mas sua aparência serena não modificava mesmo sendo sua primeira gestação... Muito colaborativa fazia tudo o que era explicado para facilitar seu parto...
Ao examiná-la já estava com dilatação total, porém ainda o bebê estava alto e aos poucos descia conforme suas forças de puxo. Fiquei mais de perto apoiando e conduzindo... E assim logo pude realizar o parto de Claudia e foi realmente um prazer... Nasceu o pequeno Eduardo, de parto normal, choro forte, corado com o peso de 3300Kg e coloquei imediatamente ao seu ventre e fiz o contato pele a pele, foi lindo, seus olhos em contato com os de Eduardo sem dizer uma só palavra, porém não era preciso, tenho certeza que Eduardo era um bebê muito esperado, e por ter uma mãe especial ao qual foi guerreira e não desistiu do parto normal em nenhum momento...
Obrigada Claudia por me proporcionar um momento tão mágico.
"É impressionante o espanto da sociedade em geral sobre o fato de que mulheres com deficiência, inclusive física, podem engravidar e ser mães. Isso pode nos fazer refletir o quanto a marca da deficiência se sobrepõe à pessoa humana. Portanto, vale dizer: mulheres com deficiência podem engravidar".
"Não importa o tipo de deficiência, seja física, visual, auditiva ou intelectual, elas continuam sendo mulheres e, se assim desejarem, podem viver a experiência da maternidade".
É super importante a cidadania e o fortalecimento da participação da pessoa com deficiência na sociedade.
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
O protagonismo do parto normal.
Hoje dedico o meu dia a uma mulher guerreira, lutadora, tranquila, sorridente e acima de tudo mãe.... Seu nome Maria Cidalia, já no seu quinto filho, todos normais, estava em trabalho de parto sereno, realmente muito tranquila, gostoso de conduzir...
Minha aluna Fernanda muito aplicada e dedicada, passou o tempo todo ao seu lado, devido não ter acompanhante as duas criaram um vínculo. Pude notar que não haveriam gritos ou agitações, mas se ela decidisse gritar não haveria problemas, mas houve apenas sorrisos...e as duas tranquilas aguardavam o grande momento do nascimento de Wellington, após 11 anos do seu ultimo parto viria o rapaizinho ao qual estava ansiosa aguardando.
Maria Cidalia só prova que a mulher é a protagonista de seu parto, que no minimo um parto respeitoso, ao qual na verdade a equipe está ali apenas para acompanha-la e nada mais.
Mesmo sendo um mecônio tudo estava sendo controlado a cada 1 hora e a vitalidade fetal estava sendo acompanhada rigorosamente por mim professora e pela minha aluna Fernanda.
| "Devolver à mãe a confiança em sua capacidade de dar à luz. Olhar a futura mãe em toda sua dignidade de mulher. Mudar o eixo de atenção do parto centrado na equipe de saúde (médicos e auxiliares) para a mulher em trabalho de parto". http://www.partohumanizado.com.br/cap3.html |
As horas passavam e nós na expectativa, examinei e pude notar que estava na grande hora de Wellington nascer, Fernanda tb ansiosa já se paramentava e agora só esperar o grande momento. As 06:15hs nasce Wellington de parto normal, forte, choro vigoroso, colocado no contato pele a pele e Maria Cidalia agora não só sorria mas chorava tb de alegria por estar com ele nos braços... abraçada e olhando-os nos olhos. Wellington nasceu com peso de 3630 kg, saudável e gordinho. Minha aluna orgulhosa e humanizada parabenizava Maria, pois tudo só foi possivel por ela, somente ela.
"Humanizar é acreditar na fisiologia da gestação e do parto.Humanizar é respeitar esta fisiologia, e apenas acompanhá-la.Humanizar é perceber, refletir e respeitar os diversos aspectos culturais, individuais, psíquicos e emocionais da mulher e de sua família.Humanizar é devolver o protagonismo do parto à mulher.É garantir-lhe o direito de conhecimento e escolha".
Maria foi um prazer poder fazer parte desse seu momento... obrigada por permitir estar ao seu lado...
|
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
Menina - mãe...
Ontem foi um dia especial onde posso agradecer a Deus...
Pude partejar e ajudar uma criança a tornar-se mãe... O nome dela Diane, 14 anos, meiga, branquinha, super educada, menina que estava prestes a tornar-se mulher...
O maior empecilho para uma mãe adolescente é muitas vezes não ter maturidade para tomar algumas decisões sozinha e ter os aprendizados da adolescência em um ritmo diferente. Muita coisa é atropelada e mais pra frente, acaba fazendo falta. A gravidez na adolescência é algo que nem de longe recomendamos a alguém. Mas se por um descuido isso acontece, não podemos ter outra posição que não seja encarar as coisas de frente e arcar com as consequências que qualquer decisão importante traz.
Pude acompanhar este trabalho de parto juntamente com a sua mãe, ao qual jovem tb estava ao lado da filha neste momento muito importante.
Deixemos todas as criticas de lado e deixei minha profissão falar mais alto e conduzi um trabalho de parto tranquilo, sem gritos, apenas orientações e apoio.
A mãe super aberta as minhas orientações tornou-se minha parceira naquele momento de acolhimento!
Após algumas horas as dores ficaram mais intensas e mesmo assim Diane ficou serena... Estava assustada porem com sua mãe ao seu lado parecia mais forte...
Chegou a hora... disse á Diane, após minha avaliação obstétrica, pedi para que deitasse e calmamente fizesse força somente no momento que tivesse vontade...
Nasce então o pequeno, o seu filho esperado, mãe e filha abraçam o pequeno... Tão lindo, corado, ativo e com choro forte... Coloquei em seu ventre para o contato pele a pele, ela olha fixamente aos seus olhos e por um momento fiquei analisando o nascimento não só de um bebê e sim de uma mãe... Lindo... mágico... Deus é perfeito...
Pude partejar e ajudar uma criança a tornar-se mãe... O nome dela Diane, 14 anos, meiga, branquinha, super educada, menina que estava prestes a tornar-se mulher...
O maior empecilho para uma mãe adolescente é muitas vezes não ter maturidade para tomar algumas decisões sozinha e ter os aprendizados da adolescência em um ritmo diferente. Muita coisa é atropelada e mais pra frente, acaba fazendo falta. A gravidez na adolescência é algo que nem de longe recomendamos a alguém. Mas se por um descuido isso acontece, não podemos ter outra posição que não seja encarar as coisas de frente e arcar com as consequências que qualquer decisão importante traz.
Pude acompanhar este trabalho de parto juntamente com a sua mãe, ao qual jovem tb estava ao lado da filha neste momento muito importante.
Deixemos todas as criticas de lado e deixei minha profissão falar mais alto e conduzi um trabalho de parto tranquilo, sem gritos, apenas orientações e apoio.
A mãe super aberta as minhas orientações tornou-se minha parceira naquele momento de acolhimento!
Após algumas horas as dores ficaram mais intensas e mesmo assim Diane ficou serena... Estava assustada porem com sua mãe ao seu lado parecia mais forte...
Chegou a hora... disse á Diane, após minha avaliação obstétrica, pedi para que deitasse e calmamente fizesse força somente no momento que tivesse vontade...
Nasce então o pequeno, o seu filho esperado, mãe e filha abraçam o pequeno... Tão lindo, corado, ativo e com choro forte... Coloquei em seu ventre para o contato pele a pele, ela olha fixamente aos seus olhos e por um momento fiquei analisando o nascimento não só de um bebê e sim de uma mãe... Lindo... mágico... Deus é perfeito...
quarta-feira, 23 de julho de 2014
Oração para um parto feliz....
Hoje dedico meu dia a grande mulher Lidiane, mulher de Deus, ao qual fiz seu parto com grande alegria...
Mudei de ambiente de trabalho mas procuro realizar meus partos com a mesma dedicação e responsabilidade...
Ontem Lidiane chegou ao hospital com 05 cm, ou seja na metade do caminho, foi examinada pelos plantonistas e eu e minha colegas conduzimos seu trabalho de parto. Sendo a segunda gestação de Lidiane não era novidade as dores, as contrações.
Mesmo sendo uma parturiente orientada ao chegar aos 9 cm, olhou pra mim e disse:
"Enfermeira vai demorar muito não estou aguentando mais...."
Orientei sua respiração, motivei, conversei dizendo que já estava perto... e assim se acalmou, com os olhos cheios de lágrimas disse na hora do nascimento minha amiga vai assistir o parto...
Não demorou muito e já estava pronta para o expulsivo, assim as 00:30 hs nasce a SARAH com 3032kg, de parto normal, corada, chorona, com apgar 9-10, e a mãe com perineo integro. No momento que ela viu sua filha gritou "OBRIGADA MEU DEUS". A Lidiane disse escolhi este nome por ser evangélica e por significar princesa....
Recepcionei a pequena Sarah, que veio com uma circular de cordão bem frouxa, sequei, olhei nos olhinhos e dei as minhas boas vindas, devolvi a pequena para Lidiane e nos seus braços, ela deu as boas vindas também, abraçando-a, chorando, no momento do contato pele a pele agradeceu a Deus mais uma vez e todos da sala calaram-se, foi um silêncio pois não estamos acostumados com o agradecimento a Deus! Na correria e ligados no automático não temos o costume de parar e agradecer a Deus a vida, e nem por participar de momentos onde a vida surge com a nossa ajuda!
Lidiane me fez parar e refletir que não podemos esquecer de agradecer, mesmo nesta vida corrida onde não o tempo quem faz somos nós...
Mudei de ambiente de trabalho mas procuro realizar meus partos com a mesma dedicação e responsabilidade...
Ontem Lidiane chegou ao hospital com 05 cm, ou seja na metade do caminho, foi examinada pelos plantonistas e eu e minha colegas conduzimos seu trabalho de parto. Sendo a segunda gestação de Lidiane não era novidade as dores, as contrações.
Mesmo sendo uma parturiente orientada ao chegar aos 9 cm, olhou pra mim e disse:
"Enfermeira vai demorar muito não estou aguentando mais...."
Orientei sua respiração, motivei, conversei dizendo que já estava perto... e assim se acalmou, com os olhos cheios de lágrimas disse na hora do nascimento minha amiga vai assistir o parto...
Não demorou muito e já estava pronta para o expulsivo, assim as 00:30 hs nasce a SARAH com 3032kg, de parto normal, corada, chorona, com apgar 9-10, e a mãe com perineo integro. No momento que ela viu sua filha gritou "OBRIGADA MEU DEUS". A Lidiane disse escolhi este nome por ser evangélica e por significar princesa....
Recepcionei a pequena Sarah, que veio com uma circular de cordão bem frouxa, sequei, olhei nos olhinhos e dei as minhas boas vindas, devolvi a pequena para Lidiane e nos seus braços, ela deu as boas vindas também, abraçando-a, chorando, no momento do contato pele a pele agradeceu a Deus mais uma vez e todos da sala calaram-se, foi um silêncio pois não estamos acostumados com o agradecimento a Deus! Na correria e ligados no automático não temos o costume de parar e agradecer a Deus a vida, e nem por participar de momentos onde a vida surge com a nossa ajuda!
Lidiane me fez parar e refletir que não podemos esquecer de agradecer, mesmo nesta vida corrida onde não o tempo quem faz somos nós...
ORAÇÃO PARA UM PARTO FELIZ
Senhor, estou diante de Ti e peço em oração que estejas comigo na hora do meu parto.
Tenho medo Senhor, esta é uma hora de alegria, mas também de preocupação. Que eu esteja calma, que não haja imprevistos, que a minha satisfação de dar à luz seja maior do que a dor que eu venha a sentir.
Cubra-me com a Tua paz. Que meu bebê nasça perfeito, que minha recuperação seja total e que eu não tenha sequelas. Que este momento seja sublime, que eu me realize ao receber o bebê em meus braços.
Sei que estarás comigo, sei que atenderás minha oração, por isso te agradeço, Senhor.
Amém

terça-feira, 1 de julho de 2014
O pulsar do cordão umbilical... 3 minutos a mais no colo da mãe...
Hoje dedico o meu dia a uma pessoa chamada Andreia, a mãe mais calma que encontrei, que mesmo sendo seu primeiro filho pode me mostrar o que é uma mãe...
Estava internada devido ser um pós data e estava induzindo o trabalho de parto!
Cheguei no trabalho o meu ultimo dia neste hospital, e casa cheia... A Andreia calada, sorriso maroto, piercing no nariz, tranquila porém já com dor.
Foi evoluindo rápido e não gritava apenas se contorcia muito pois suas dores aumentavam a cada momento.
Fui examiná-la e pude notar que já estava com 9 cm, colo fino ao qual não demoraria muito. Fui avisando a equipe de enfermagem e me preparei para receber o seu filho!
Quando estava com dilatação total, conversei com a mesma, a acalmei mas pude notar sua concentração...
Sentei na sua frente e tudo já estava preparado; Enfermeira, neonatologista, tecnica de enfermagem e agora só esperar.
Deus realmente é perfeito, Marcos Eduardo já com a cabecinha apontando, Andreia constatou com o toque em sua cabecinha, apresentou um sorriso lindo... Um sorriso de meu filho está aqui.
Assim fez uma força mais forte e nós três da equipe ficamos vendo toda rotação externa de Marcos.
Fico maravilhada com cada parto ao qual realizo, momento único, mágico onde a natureza de Deus está presente.
Nasceu então Marcos Eduardo, nome forte, choro também forte, peso ideal com 3.330Kg, foi colocado no ventre de sua mãe, além do contato pele a pele a troca de olhares aconteceu.
Ofereci a Andreia a tesoura nada mais justo, ao qual ela mesmo cortou após 3 minutos, sua ligação entre Marcos e ela, já não serve mais o cordão estar ligado a ela naquele momento. A ligação agora será para sempre de outra forma. Me emocionei ao ver uma mulher valente, decidida e um bebe tão esperado...
Obrigada meu Deus....
Enquanto o bebê acabou de nascer e é colocado encima de sua mãe, seu cordão continua pulsando, enviando para ele sangue e oxigênio suficientes para mantê-lo em boas condições físicas durante o processo de transição que ocorre em seu corpinho: seus pulmões reabsorvem todo o líquido que os preenchiam e se preparam para dar suas primeiras golfadas de ar, e seu sistema circulatório se modifica gradualmente para incluir o trabalho dos pulmões na oxigenação, excluindo ao mesmo tempo o cordão umbilical de suas funções originais. Este, então, vai parando de pulsar lentamente, até que se completa a transição. Durante esse processo, que dura minutos apenas, o bebê recebe até 50% de sangue a mais do que já possuía, além de uma dose extra de ferro que ajuda a prevenir problemas como anemia e icterícia.
Estava internada devido ser um pós data e estava induzindo o trabalho de parto!
Cheguei no trabalho o meu ultimo dia neste hospital, e casa cheia... A Andreia calada, sorriso maroto, piercing no nariz, tranquila porém já com dor.
Foi evoluindo rápido e não gritava apenas se contorcia muito pois suas dores aumentavam a cada momento.
Fui examiná-la e pude notar que já estava com 9 cm, colo fino ao qual não demoraria muito. Fui avisando a equipe de enfermagem e me preparei para receber o seu filho!
Quando estava com dilatação total, conversei com a mesma, a acalmei mas pude notar sua concentração...
Sentei na sua frente e tudo já estava preparado; Enfermeira, neonatologista, tecnica de enfermagem e agora só esperar.
Deus realmente é perfeito, Marcos Eduardo já com a cabecinha apontando, Andreia constatou com o toque em sua cabecinha, apresentou um sorriso lindo... Um sorriso de meu filho está aqui.
Assim fez uma força mais forte e nós três da equipe ficamos vendo toda rotação externa de Marcos.
Fico maravilhada com cada parto ao qual realizo, momento único, mágico onde a natureza de Deus está presente.
Nasceu então Marcos Eduardo, nome forte, choro também forte, peso ideal com 3.330Kg, foi colocado no ventre de sua mãe, além do contato pele a pele a troca de olhares aconteceu.
Ofereci a Andreia a tesoura nada mais justo, ao qual ela mesmo cortou após 3 minutos, sua ligação entre Marcos e ela, já não serve mais o cordão estar ligado a ela naquele momento. A ligação agora será para sempre de outra forma. Me emocionei ao ver uma mulher valente, decidida e um bebe tão esperado...
Obrigada meu Deus....
Enquanto o bebê acabou de nascer e é colocado encima de sua mãe, seu cordão continua pulsando, enviando para ele sangue e oxigênio suficientes para mantê-lo em boas condições físicas durante o processo de transição que ocorre em seu corpinho: seus pulmões reabsorvem todo o líquido que os preenchiam e se preparam para dar suas primeiras golfadas de ar, e seu sistema circulatório se modifica gradualmente para incluir o trabalho dos pulmões na oxigenação, excluindo ao mesmo tempo o cordão umbilical de suas funções originais. Este, então, vai parando de pulsar lentamente, até que se completa a transição. Durante esse processo, que dura minutos apenas, o bebê recebe até 50% de sangue a mais do que já possuía, além de uma dose extra de ferro que ajuda a prevenir problemas como anemia e icterícia.
terça-feira, 17 de junho de 2014
Uma gigante chamada Milena...
Hoje dedico o meu dia a você Michele...
Plantão abençoado onde todas que chegavam estavam em trabalho de parto, e para uma obstetriz a felicidade é ter partos sem complicações onde a mãe e o bebê fiquem bem....
Todos estavam nascendo e a Michele na sua ansiedade de quintagesta gritava muito desde o momento que internou. Seu esposo calmo porém com o rosto de casado a todo momento perguntava: "Vai demorar enfermeira, ela está sofrendo muito e eu também..."
Logo tomei a frente da conversa e orientei todo o trabalho de parto, como funcionava e os exercícios aos quais ela teria que realizar.
No decorrer do meu exame obstetrico inicial pude notar sua altura uterina acima de 38, barriga muito grande, porém ao avaliar a sua bacia, pude notar que era uma bacia boa para o parto vaginal, e ela mesmo já havia adiantado que os outros filhos nasceram grandes e de parto normal, assim continuei a condução do trabalho de parto.
Os bebes das outras pacientes nascendo e nada de nascer o da Michele, estava alto com dilatação 9-10 cm um colo fino mas o bebê não encaixava para que eu pudesse romper sua bolsa das águas. Bom então conversei novamente com o casal e consegui convencê-la a andar e depois ir ao banho para poder completar a sua dilatação e automaticamente ocorrer a descida do seu bebê. Optamos a não entrar com ocitocina, já que o problema não era o motor (dor) e sim o tamanho do bebê.
Assim as 06:30 já quase na virada do plantão, ela olhou para mim e disse vc vai embora enfermeira e não vai fazer o meu parto...
Então realizei o rompimento artificial da bolsa das águas,saiu muito liquido, mas mesmo achando que era muito liquido o bebe ainda era muito grande.
Não demorou muito, as dores pioraram, nasce as 06:45hs a grande MILENA, de parto normal , sem ocitocina, com 4.710 kg, uma bochechuda, não dava nem para segurar direito, choro forte, corada, saudável, e o mais recompensador a mãe não teve nenhuma laceração, foi de perineo integro. O pai com os olhos úmidos de lagrimas ficou assustado com o tamanho da sua princesa.... Mas como é gratificante poder sair do plantão com a sensação de que pude ajudar a vários bebês a nascerem, dever cumprido, pais felizes, sem ocorrer nenhuma intercorrência...
Plantão abençoado onde todas que chegavam estavam em trabalho de parto, e para uma obstetriz a felicidade é ter partos sem complicações onde a mãe e o bebê fiquem bem....
Todos estavam nascendo e a Michele na sua ansiedade de quintagesta gritava muito desde o momento que internou. Seu esposo calmo porém com o rosto de casado a todo momento perguntava: "Vai demorar enfermeira, ela está sofrendo muito e eu também..."
Logo tomei a frente da conversa e orientei todo o trabalho de parto, como funcionava e os exercícios aos quais ela teria que realizar.
No decorrer do meu exame obstetrico inicial pude notar sua altura uterina acima de 38, barriga muito grande, porém ao avaliar a sua bacia, pude notar que era uma bacia boa para o parto vaginal, e ela mesmo já havia adiantado que os outros filhos nasceram grandes e de parto normal, assim continuei a condução do trabalho de parto.
Os bebes das outras pacientes nascendo e nada de nascer o da Michele, estava alto com dilatação 9-10 cm um colo fino mas o bebê não encaixava para que eu pudesse romper sua bolsa das águas. Bom então conversei novamente com o casal e consegui convencê-la a andar e depois ir ao banho para poder completar a sua dilatação e automaticamente ocorrer a descida do seu bebê. Optamos a não entrar com ocitocina, já que o problema não era o motor (dor) e sim o tamanho do bebê.
Assim as 06:30 já quase na virada do plantão, ela olhou para mim e disse vc vai embora enfermeira e não vai fazer o meu parto...
Então realizei o rompimento artificial da bolsa das águas,saiu muito liquido, mas mesmo achando que era muito liquido o bebe ainda era muito grande.
Não demorou muito, as dores pioraram, nasce as 06:45hs a grande MILENA, de parto normal , sem ocitocina, com 4.710 kg, uma bochechuda, não dava nem para segurar direito, choro forte, corada, saudável, e o mais recompensador a mãe não teve nenhuma laceração, foi de perineo integro. O pai com os olhos úmidos de lagrimas ficou assustado com o tamanho da sua princesa.... Mas como é gratificante poder sair do plantão com a sensação de que pude ajudar a vários bebês a nascerem, dever cumprido, pais felizes, sem ocorrer nenhuma intercorrência...
sexta-feira, 6 de junho de 2014
Mãe criança...
Hoje de dedico meu dia a você Marinalva, nome forte, parece até de mulher, porém uma criança...
Marinalva com 14 anos, dedico o meu dia ao seu parto, não por achar que crianças devam parir mas pela capacidade de ouvir, entender dentro de suas limitações e cooperar...
Conforme estudos, em 2000, o índice de partos em adolescentes aumentou para 18%, ou seja, praticamente dobrou o número de mulheres que engravidam entre os 12 e os 19 anos.
Penso que e tenho certeza, o corpo de uma criança de 14 anos não está pronto para parir, porém cada vez mais elas engravidam, cada vez elas voltam e cada vez mais ficamos com adolescentes despreparadas tendo seus filhos mais precocemente.
No início, é um choque porque a adolescente está vivendo uma fase de transição em busca da própria identidade. Perguntas elementares como “Quem sou?”, “O que estou fazendo aqui?”, “Qual vai ser meu papel neste mundo?”, ainda estão sem respostas e ela se depara tendo de enfrentar uma gravidez que atropela seu desenvolvimento e a obriga também a buscar sua identidade como mãe.
Marinalva lógico acompanhada de sua mãe, tranquila, aparentemente simples, e orientada por sua mãe para não gritar, não chorar pois sabia que a dor era inevitável. E assim ela fez manteve-se calada o tempo inteiro, fazia tudo o que nós orientávamos, a lagrima escorria de seus olhos, mas não podia expor sua dor, não sabia o que era apenas perguntava a todo momento, vcs vão me cortar, para o bebê sair mais rápido...
O trabalho de parto foi acompanhado por mim e minha aluna ao qual estava ansiosa por um parto! Foi um trabalho de parto rápido, tranquilo, apresentou o puxo involuntário, olhava com os olhos arregalados, nao sabia o que estava por vir....
As 00:35 hs nasce a pequena Ana Vitoria, não foi preciso episiotomia, apenas apresentou uma pequena laceração de primeiro grau, coloquei sua filha no seu ventre para o contato pele a pele, a mãe de Marinalva parada deixa um suspiro de alivio sair. Ana Vitoria nasceu corada, chorando forte, fiquei emocionada de ver aquela cena; Sai de cena um corpo de menina e entra agora uma mulher e mãe... Nasceram juntas no mesmo momento!
Não é a desinformação que leva à gravidez na adolescência. Talvez o pensamento mágico dos adolescentes que influencia a maneira de buscar a si mesmos, o imediatismo e a onipotência que lhe são característicos sejam fatores que possam justificar o número maior de casos. Hoje, não há menina que não saiba que pode engravidar, mas todas imaginam que isso só acontece com as outras, jamais irá acontecer com elas.

terça-feira, 13 de maio de 2014
Dia das mãe dia lindo para se nascer....
No dias das mães dedico a você Maria (nome fictício), o meu dia.....
Dia das mães dia especial onde estava de plantão e na espera de novas mães para parir e nascerem como mães neste dia tão lindo....
Entrei no plantão e encontro o seguinte plantão, que a paciente Maria estava no aguardo de vaga para transferência para outro hospital, devido não ser da área, então fui examiná-la, primeiro, já que mesmo tão jovem, e em sua segunda gestação estava calada se contorcendo de dor no leito da observação.
Entrei e comecei o meu exame obstétrico, e ao realizar o toque já estava com 9 cm mas a bolsa ainda integra. Então a encaminhei ao PPP 3 (pré-parto, parto, puerpério), sala onde elas parem....
Ao fazer as perguntas de praxe ela relatou ser usuária de drogas ilicitas (cocaína e maconha), porém havia parado há algum tempo, mas usou na gestação... devido a isso fiquei um pouco preocupada pois estas pacientes são dificeis de obter confiança e não colaboram muito quando estão na dor, entram em abstinência. Então perguntei a mesma onde está seu acompanhante.... Ela respondeu que ainda não havia chegado. Dei mais um tempo para ele poder chegar e olhei para ela e falei, acho que não dará tempo então comecei minha orientações sobre posições, respiração, relaxamento, força no momento certo e etc....
Procurei não sair do quarto, fiquei com ela massageando suas costas, e orientei que seu parto fosse lateral, a mesma não se opôs, então quando estava com dilatação total, e sua bolsa rompeu espontaneamente durante o puxo natural, ela calada, serena, calma e super acolhida, fico confortável na posição lateral e assim nasceu Maria Luiza, corada, choro forte, foi colocada no ventre da sua mãe imediatamente para o contato pele a pele, foi abraçada fortemente, foi dada as boas vindas, não houve nenhum trauma perineal na Maria, sendo este uma das vantagens do parto lateral, Maria Luiza foi recebida no dias das MÃES,
Que dia mais lindo para se nascer....
Dia das mães dia especial onde estava de plantão e na espera de novas mães para parir e nascerem como mães neste dia tão lindo....
Entrei no plantão e encontro o seguinte plantão, que a paciente Maria estava no aguardo de vaga para transferência para outro hospital, devido não ser da área, então fui examiná-la, primeiro, já que mesmo tão jovem, e em sua segunda gestação estava calada se contorcendo de dor no leito da observação.
Entrei e comecei o meu exame obstétrico, e ao realizar o toque já estava com 9 cm mas a bolsa ainda integra. Então a encaminhei ao PPP 3 (pré-parto, parto, puerpério), sala onde elas parem....
Ao fazer as perguntas de praxe ela relatou ser usuária de drogas ilicitas (cocaína e maconha), porém havia parado há algum tempo, mas usou na gestação... devido a isso fiquei um pouco preocupada pois estas pacientes são dificeis de obter confiança e não colaboram muito quando estão na dor, entram em abstinência. Então perguntei a mesma onde está seu acompanhante.... Ela respondeu que ainda não havia chegado. Dei mais um tempo para ele poder chegar e olhei para ela e falei, acho que não dará tempo então comecei minha orientações sobre posições, respiração, relaxamento, força no momento certo e etc....
Procurei não sair do quarto, fiquei com ela massageando suas costas, e orientei que seu parto fosse lateral, a mesma não se opôs, então quando estava com dilatação total, e sua bolsa rompeu espontaneamente durante o puxo natural, ela calada, serena, calma e super acolhida, fico confortável na posição lateral e assim nasceu Maria Luiza, corada, choro forte, foi colocada no ventre da sua mãe imediatamente para o contato pele a pele, foi abraçada fortemente, foi dada as boas vindas, não houve nenhum trauma perineal na Maria, sendo este uma das vantagens do parto lateral, Maria Luiza foi recebida no dias das MÃES,
Que dia mais lindo para se nascer....
quinta-feira, 8 de maio de 2014
O Corpo projetado para o parto Normal....
Thamara hoje dedico o meu dia para você....
Ontem fiquei realizada e a cada parto ao qual conduzo mais posso ter certeza que a mulher é a protagonista do seu parto.
Thamara foi para o Hospital com 4 cm e com dores medianas e irregulares, não estava em franco trabalho de parto, porém ao chegar no setor ficou aos meus cuidados.
Logo me apresentei e observei que ela com 20 anos estava calma, acompanhada de sua mãe parecia confortável.
Comecei com as orientações a ela e sua mãe, optei apesar da médica ao qual internou solicitar ocitocina, não conduzi com ocitócitos... Apenas orientei exercícios perineias, banho terapêutico, deambulação, e procurei deixá-la o mais a vontade possível.
Após 1 hora ao examiná-la obstetricamente e com todos os dados do pré-natal pude notal um odor ao qual não era característico fisiológico, então decidi romper sua bolsa para poder observar melhor o liquido amniótico, então tive certeza que era uma fisometria (sugestivo infecção do endométrio ou do endométrio e do miométrio, com odor desagradável).
Procurei comunicar o plantonista e solicitei antibiótico e expliquei a mãe sobre riscos de infecção precoce ao seu bebê...
Continuei a condução, Thamara muito colaborativa mas seu trabalho de parto foi muito rápido após 1 hora já estava com puxos e com dilatação total...
Entrei no quarto e solicitei que a luz ficasse meia luz e assim foi, Nasce MURILLO com 4.500kg, gigante, forte, gordo, corado, choro forte, lindo...
Foi colocado no ventre da mãe, foi secado por ela com lágrima nos olhos, a avó olhava sorrindo seu neto e eu super feliz de poder fazer parte deste momento.
Muitos podem achar que o peso do bebê acima de 4 kilos não pode ser parto normal mas tudo tem que ser analisado previamente, bacia materna, decida adequada do feto, posição etc..
E assim nasce um bebe grande e não foi necessário episiotomia apenas com a proteção perineal ocorreu aceração pequena de primeiro grau ao qual a recuperação será tranquila...
sexta-feira, 2 de maio de 2014
Parir com confiança....
Hoje dedico o meu dia a uma menina chamada Thayna, ao qual cheguei no plantão e estava em trabalho de parto, com apenas 17 anos, gritava muito, chorava muito e não colaborava, com 6cm e sua mãe sua acompanhante questionava muito e não ajudava a filha a respirar, ou fazer exercícios perineais. Foi assim que foi passado para mim no plantão.
Então falei este parto é meu, irei conduzir, entrei no quarto e a mãe com o olhar questionador, armada em respostas grosseiras, com a fisionomia de mal humor, armada para agredir verbalmente qualquer pessoa que entrasse naquele quarto!
Então me apresentei e a primeira coisa que ouvi foi este bebê não vem, olhei para a mãe da Thayna e falei porque não? Ela por sua vez disse está demorando muito estamos aqui desde as 13:00hs e não nasceu ainda.
Eu assumi o plantão as 19:00hs e assim faziam 06 horas de trabalho de parto! Expliquei as duas que o trabalho de parto de uma primigesta, a fase inicial ou latente é geralmente a mais longa porque as contrações são mais leves e ficam no pico por um tempo mais curto do que as contrações tardias. É difícil prever com exatidão a duração dessa fase, mas em média dura torno de 10 horas. Durante esse tempo, a mãe está ansiosa e em dúvida se este é realmente o trabalho de parto. As principais característicasdessa fase é que o colo amolece, afina, começa a dilatar; começam as contrações leves com intervalos de 20 a 5 minutos, pode-se ter corrimento, haver dor nas costas e náusea, além de 3 a 4 cm de dilatação. as primigestas esse estágio requer 20 contrações e tem duração média de 50 minutos.
A fase ativa trata-se tipicamente de um período agitado para a mãe, as contrações se tornam mais duradoras, mais fortes e com intervalos menores entre si.
O trabalho tardio ou de transição é caracterizado pelas contrações freqüentes, longas e intensas, acompanhada com sintomas de náusea, vômito, tremores nas pernas e sentimentos de desanimo. É a fase mais difícil e também a mais curta, o colo está aberto e o bebê entra no canal de parto. As contrações tem duração de 60 a 90 segundos com 7 a 10 cm de dilatação. Nesse momento, a mulher sente uma compulsão para fazer força e expulsar o bebê. A fase de transição pode durar uma hora ou mais, o ideal é que a mãe consiga relaxa o corpo e o períneo; lembrar sempre que o bebê está chegando e repousar entre as contrações mantendo uma respiração calma e fluida.
A mãe olhou e ficou calada e quando examinei a Thayna já estava com dilatação total, o bebê já estava bem baixinho no canal de parto e assim solicitei a minha ajudante de sala a presença da neonatologista. E parecia que agora Thayna entendia as minhas orientações e mais calma fazia tudo o que eu orientava, orientei para controlar a força, para não ter lacerações de períneo, e assim ela o fez...
Nasceu Maria Beatriz, calmamente, linda, no silêncio da sua mãe que acompanhava todo o desprendimento e saída de sua filha, chorou forte, corada, assim foi colocada no ventre de sua mãe para o contato pele a pele e a troca de olhares... Foi Lindo.
A acompanhante agora esboçou um sorriso tímido e lagrimas deixou rolar pois quem estava ali era sua neta vigorosa e saudável...
Vale ressaltar que as figuras mais importantes para um bom trabalho de parto são a MÃE e o BEBÊ, todas as pessoas que estão em volta são apenas figurantes. O momento é da mãe e é ela quem deve controlar todo o procedimento.

Então falei este parto é meu, irei conduzir, entrei no quarto e a mãe com o olhar questionador, armada em respostas grosseiras, com a fisionomia de mal humor, armada para agredir verbalmente qualquer pessoa que entrasse naquele quarto!
Então me apresentei e a primeira coisa que ouvi foi este bebê não vem, olhei para a mãe da Thayna e falei porque não? Ela por sua vez disse está demorando muito estamos aqui desde as 13:00hs e não nasceu ainda.
Eu assumi o plantão as 19:00hs e assim faziam 06 horas de trabalho de parto! Expliquei as duas que o trabalho de parto de uma primigesta, a fase inicial ou latente é geralmente a mais longa porque as contrações são mais leves e ficam no pico por um tempo mais curto do que as contrações tardias. É difícil prever com exatidão a duração dessa fase, mas em média dura torno de 10 horas. Durante esse tempo, a mãe está ansiosa e em dúvida se este é realmente o trabalho de parto. As principais característicasdessa fase é que o colo amolece, afina, começa a dilatar; começam as contrações leves com intervalos de 20 a 5 minutos, pode-se ter corrimento, haver dor nas costas e náusea, além de 3 a 4 cm de dilatação. as primigestas esse estágio requer 20 contrações e tem duração média de 50 minutos.
A fase ativa trata-se tipicamente de um período agitado para a mãe, as contrações se tornam mais duradoras, mais fortes e com intervalos menores entre si.
O trabalho tardio ou de transição é caracterizado pelas contrações freqüentes, longas e intensas, acompanhada com sintomas de náusea, vômito, tremores nas pernas e sentimentos de desanimo. É a fase mais difícil e também a mais curta, o colo está aberto e o bebê entra no canal de parto. As contrações tem duração de 60 a 90 segundos com 7 a 10 cm de dilatação. Nesse momento, a mulher sente uma compulsão para fazer força e expulsar o bebê. A fase de transição pode durar uma hora ou mais, o ideal é que a mãe consiga relaxa o corpo e o períneo; lembrar sempre que o bebê está chegando e repousar entre as contrações mantendo uma respiração calma e fluida.
A mãe olhou e ficou calada e quando examinei a Thayna já estava com dilatação total, o bebê já estava bem baixinho no canal de parto e assim solicitei a minha ajudante de sala a presença da neonatologista. E parecia que agora Thayna entendia as minhas orientações e mais calma fazia tudo o que eu orientava, orientei para controlar a força, para não ter lacerações de períneo, e assim ela o fez...
Nasceu Maria Beatriz, calmamente, linda, no silêncio da sua mãe que acompanhava todo o desprendimento e saída de sua filha, chorou forte, corada, assim foi colocada no ventre de sua mãe para o contato pele a pele e a troca de olhares... Foi Lindo.
A acompanhante agora esboçou um sorriso tímido e lagrimas deixou rolar pois quem estava ali era sua neta vigorosa e saudável...
Vale ressaltar que as figuras mais importantes para um bom trabalho de parto são a MÃE e o BEBÊ, todas as pessoas que estão em volta são apenas figurantes. O momento é da mãe e é ela quem deve controlar todo o procedimento.
terça-feira, 22 de abril de 2014
Família da Atualidade.... Mães que parem sozinhas...
Hoje dedico o meu dia a uma paciente que foge um pouco do "normal", se há normalidade em relacionamento....
Estava já internada desde cedo, seu nome Susy, em trabalho de parto e desacompanhada. Ao chegar no plantão fui direto ao seu quarto para examiná-la já que a minha técnica me informou que a paciente estava com vontade de fazer "cocô". Neste caso poderia já estar com dilatação total e iria nascer....
Entrei no quarto me apresentei e comecei o meu exame físico e obstétrico, não estava ainda com dilatação total mas devido o bebê estar bem baixinho ela tinha a sensação de vontade de evacuar, fiz as orientações pertinentes e encaminhei ao banho de chuveiro já que estava com dores fortes, dilatação de 8 cm e em franco trabalho de parto.
Estava no banho e um visitante apareceu perguntando pela Susy, então perguntei o senhor é o que dela? Ele respondeu sou um amigo. Então informei que teria que esperar já que a mesma estava no banho. Fui ao quarto e informei para a Susy que um amigo estava no aguardo da visita, ela perguntou o nome e disse pode entrar enfermeira. Parei e olhei para ela e disse mas tudo bem um amigo vê-la pelada ao banho? A mesma sorriu e disse ele falou amigo?! Não ele é o pai do meu bebê! Voltei e olhei para aquele rapaz e perguntei mas o senhor é amigo ou pai do bebê? Ele com desdem disse " É sou o pai do bebê, mas não moro com ela...". Liberei sua entrada e fiquei analisando aquela situação...
Na maioria das vezes, percebo que as pessoas que se encontram em relacionamentos desajustados, com intenções diferentes, de certa forma já sabiam que isso aconteceria e, mesmo assim, insistiram em iniciar uma relação fadada ao fracasso. Infelizmente, muitos homens alegam não ter quaisquer responsabilidades na questão da reprodução.Evitar a gravidez e se proteger nas relações sexuais é, para tais homens, uma tarefa exclusivamente feminina.
Durante o trabalho de parto o homem ficou ao seu lado, ela mais tranquila porém com dor deixou que a acompanhasse, parecendo que uma chance de volta poderia surgir. Nasceu o bebê de parto normal, pesando 2900Kg, o nome ela decidiu no momento do parto "Endrew", escolheu sozinha, o pai não quis escolher.
Fiz uma episiotomia por ter indicação e expliquei os cuidados a ela após a sutura, o pai do bebê ficou calado todo o momento... não esboçou nenhuma reação...
Saí da sala de parto e com sentimento de tristeza apenas pensei mais um bebê sem pai no mundo...
domingo, 20 de abril de 2014
O ato de Humanizar ...
Hoje dedico meu dia a duas mulheres:
Uma chamada de Vanessa, que pariu sua filha Kemilly de 4.280 KG, de parto normal, sem ajuda de ocitócitos, com episiotomia lateral, acompanhada do marido, que ficou ao seu lado o tempo todo, devido não ter tido tempo de levá-la ao convênio médico. Kemilly nasceu vigorosa, corada, chorando forte. O pai cortou o cordão de sua filha, sorriu, participou. Casal novo porém unido, sendo que já era o segundo filho do casal.
E a outra chamada Marizete, que pariu sozinha, sem acompanhante, em silêncio, sua pequena Maria Eduarda com 2.900KG, de parto normal, sem lacerações ou episotomia, tve o períneo integro, sem gritar, chorar apenas abraçou sua bebê com força, dizendo "que pequena minha princesa".
Essas duas mulheres fortes, determinadas, a primeira chegou com dilatação total e a segunda em trabalho de parto há 12 horas sem reclamar ou indagar tal demora.
Pude participar de momento diferentes ao qual as duas estavam parindo suas filhas na páscoa, momento ao qual não tinham idéia de que estariam tendo suas filhas.
A primeira amparada pelo esposo cuidadoso a outra sozinha sem acompanhante.
Tentei ficar mais próxima de Marizete, ela com aquele olhar de dor, porém controlado, confiou no meu trabalho, atendeu a todas a minhas orientações...
No parto humanizado o atendimento é centrado na mulher, que é tratada com respeito e de forma carinhosa, podendo desfrutar da companhia da família, caminhar, tomar banho de chuveiro ou banheira para aliviar as dores. As intervenções de medicamento, aceleração do parto ou mesmo o tradicional corte vaginal acontece somente quando é estritamente necessário.
As duas tão diferentes, mas em momentos tão parecidos. O meu papel como enfermeira não é julgar, apenas realizar o meu trabalho com humanização conforme a situação de cada mulher.
Humanizar é acreditar na fisiologia da gestação e do parto.
Humanizar é respeitar esta fisiologia, e apenas acompanhá-la.
Humanizar é perceber, refletir e respeitar os diversos aspectos culturais, individuais, psíquicos e emocionais da mulher e de sua família.
Humanizar é devolver o protagonismo do parto à mulher.
É garantir-lhe o direito de conhecimento e escolha.
Uma chamada de Vanessa, que pariu sua filha Kemilly de 4.280 KG, de parto normal, sem ajuda de ocitócitos, com episiotomia lateral, acompanhada do marido, que ficou ao seu lado o tempo todo, devido não ter tido tempo de levá-la ao convênio médico. Kemilly nasceu vigorosa, corada, chorando forte. O pai cortou o cordão de sua filha, sorriu, participou. Casal novo porém unido, sendo que já era o segundo filho do casal.
E a outra chamada Marizete, que pariu sozinha, sem acompanhante, em silêncio, sua pequena Maria Eduarda com 2.900KG, de parto normal, sem lacerações ou episotomia, tve o períneo integro, sem gritar, chorar apenas abraçou sua bebê com força, dizendo "que pequena minha princesa".
Essas duas mulheres fortes, determinadas, a primeira chegou com dilatação total e a segunda em trabalho de parto há 12 horas sem reclamar ou indagar tal demora.
Pude participar de momento diferentes ao qual as duas estavam parindo suas filhas na páscoa, momento ao qual não tinham idéia de que estariam tendo suas filhas.
A primeira amparada pelo esposo cuidadoso a outra sozinha sem acompanhante.
Tentei ficar mais próxima de Marizete, ela com aquele olhar de dor, porém controlado, confiou no meu trabalho, atendeu a todas a minhas orientações...
No parto humanizado o atendimento é centrado na mulher, que é tratada com respeito e de forma carinhosa, podendo desfrutar da companhia da família, caminhar, tomar banho de chuveiro ou banheira para aliviar as dores. As intervenções de medicamento, aceleração do parto ou mesmo o tradicional corte vaginal acontece somente quando é estritamente necessário.
As duas tão diferentes, mas em momentos tão parecidos. O meu papel como enfermeira não é julgar, apenas realizar o meu trabalho com humanização conforme a situação de cada mulher.
Humanizar é acreditar na fisiologia da gestação e do parto.
Humanizar é respeitar esta fisiologia, e apenas acompanhá-la.
Humanizar é perceber, refletir e respeitar os diversos aspectos culturais, individuais, psíquicos e emocionais da mulher e de sua família.
Humanizar é devolver o protagonismo do parto à mulher.
É garantir-lhe o direito de conhecimento e escolha.
quarta-feira, 16 de abril de 2014
O emocional no trabalho de parto....
Hoje dedico meu dia a um parto ao qual me marcou...
Apesar de ter tido vários partos no plantão em torno de 10 partos, esse realmente valeu o plantão tumultuado. O nome dela é Marta;
Estava com o braço e a perna imobilizada devido há um acidente de moto, ao qual teve que ser realizado cirurgia. Apesar do quadro de imobilização, estava no começo do plantão tranquila, acompanhada da irmã, e estava com 35 semanas, neste caso um trabalho de parto prematuro expectante, já que sua bolsa já havia rompido.
Ao seguir o plantão, a irmã me procurou e disse que as dores de Marta haviam aumentado e muito, fui examiná-la e ao realizar o toque pude constatar que já estava com 4 cm com o colo fino, isto significava que com as dores ela iria dilatar rápido.
Marta já não estava tão amigável ou tranquila, chorava muito e pedia remédios para poder passar a dor do trabalho de parto, expliquei que poderia medicá-la, lógico porém no franco trabalho de parto os remédios não fazem efeito já que o bebê queria nascer. O trabalho de parto de Marta estava taquitócico ou precipitado, dores intensas, não podia levantar devido sua perna imobilizada, descompensada com a dor, mas já estava com 9 cm, começo a pular da cama, falava que queria se matar, pedia para matá-la, batia em seu rosto com a tala de seu braço, tentávamos acalmá-la sem sucesso, mas até que o bebê já começa a nascer, e assim olhei fixamente em seus olhos e disse: "Marta confie em mim e tudo vai dar certo, sei da sua dor, sei do seu medo mas você vai conseguir..." E assim nasce o pequeno bebê ao qual não tinha nome ainda, mas após seu desprendimento, Marta acalmou-se, chorou e abraçou seu bebê!. Fiquei ao seu lado o tempo todo para não ter surpresas com suas atitudes inesperadas. O bebê pequeno de tamanho, peso e idade gestacional, foi encaminhado há UTI para poder receber cuidados intensivos e a mãe encaminhada a maternidade.
"O trabalho de parto é, para a mulher, um momento de transformações físicas e intensidade emocional, em que ela pode experimentar diferentes sentimentos e sensações, tais como medo, angústia, alegria, tristeza e alívio de diferentes formas, desde a contenção à expressão de sensações físicas e emocionais. Dessa forma, a parturição constitui um fenômeno no qual os fatores fisiológicos, sociais, culturais e psicológicos interagem ao longo do trabalho de parto".

Apesar de ter tido vários partos no plantão em torno de 10 partos, esse realmente valeu o plantão tumultuado. O nome dela é Marta;
Estava com o braço e a perna imobilizada devido há um acidente de moto, ao qual teve que ser realizado cirurgia. Apesar do quadro de imobilização, estava no começo do plantão tranquila, acompanhada da irmã, e estava com 35 semanas, neste caso um trabalho de parto prematuro expectante, já que sua bolsa já havia rompido.
Ao seguir o plantão, a irmã me procurou e disse que as dores de Marta haviam aumentado e muito, fui examiná-la e ao realizar o toque pude constatar que já estava com 4 cm com o colo fino, isto significava que com as dores ela iria dilatar rápido.
Marta já não estava tão amigável ou tranquila, chorava muito e pedia remédios para poder passar a dor do trabalho de parto, expliquei que poderia medicá-la, lógico porém no franco trabalho de parto os remédios não fazem efeito já que o bebê queria nascer. O trabalho de parto de Marta estava taquitócico ou precipitado, dores intensas, não podia levantar devido sua perna imobilizada, descompensada com a dor, mas já estava com 9 cm, começo a pular da cama, falava que queria se matar, pedia para matá-la, batia em seu rosto com a tala de seu braço, tentávamos acalmá-la sem sucesso, mas até que o bebê já começa a nascer, e assim olhei fixamente em seus olhos e disse: "Marta confie em mim e tudo vai dar certo, sei da sua dor, sei do seu medo mas você vai conseguir..." E assim nasce o pequeno bebê ao qual não tinha nome ainda, mas após seu desprendimento, Marta acalmou-se, chorou e abraçou seu bebê!. Fiquei ao seu lado o tempo todo para não ter surpresas com suas atitudes inesperadas. O bebê pequeno de tamanho, peso e idade gestacional, foi encaminhado há UTI para poder receber cuidados intensivos e a mãe encaminhada a maternidade.
"O trabalho de parto é, para a mulher, um momento de transformações físicas e intensidade emocional, em que ela pode experimentar diferentes sentimentos e sensações, tais como medo, angústia, alegria, tristeza e alívio de diferentes formas, desde a contenção à expressão de sensações físicas e emocionais. Dessa forma, a parturição constitui um fenômeno no qual os fatores fisiológicos, sociais, culturais e psicológicos interagem ao longo do trabalho de parto".

terça-feira, 15 de abril de 2014
Está mais perto do que imaginamos...
Violência Obstétrica.
Violência Obstétrica.
A Violência não começa somente na hora da condução do parto, ele já começa no pré-natal, onde alguns profissionais indicam cesáreas desnecessárias, devido a sua agenda, sua impaciência, sua comodidade e etc...
Fica cada vez mais claro que a violência obstétrica pode se manifestar no impedimento de ter um acompanhante no parto, na falta de liberdade para escolher onde e como parir, na privação de água e alimentação, na falta de um carinho no momento da dor, no protagonismo que não foi permitido.
Muitas mulheres sofrem caladas essas e outras violências vividas no corpo e na alma em um momento de suas vidas em que deveriam se sentir plenas, respeitadas e renascendo junto a seus filhos.
Suas histórias retratadas em partes de seus corpos, em uma linguagem que as trata de forma serializada, anônima e sem considerar sua individualidade, assim como fazem os protocolos médicos nas maternidades públicas e privadas brasileiras. Fonte: http://carlaraiter.com
Tudo isso pode acontecer com sua mãe, sua tia, sua prima, sua irmã, vizinha, amiga e etc...
Vamos mudar esta realidade, vamos gritar pela liberdade de poder parir da forma que quiser... sem tortura, sem ameaças ou desrespeit
sábado, 12 de abril de 2014
Dedico o meu dia a você....
Dedico a uma paciente que no inicio do plantão estava em franco trabalho de parto normal, ao qual na minha visita, percebi com a experiência que adquirimos com o tempo, que estava com muita dor, porém não reclamava de nada! Simplesmente nas contrações mudava de posição, e com o olhar de dor aguardava chegar a sua vez de ser examinada. Então priorizei seu exame.
Tem 32 anos, sua quinta gestação, já passou por quatro partos normais e sabia bem que não adiantava gritar, pois a dor do trabalho de parto não aliviava com os gritos apenas respirava profundamente. O lençol estava completamente molhado devido ao suor que extravasava do seu corpo.
Fiz o exame do toque e estava com dilatação total, bolsa ainda íntegra, e o coração do seu bebê batia forte!
Olhei nos seus olhos e disse: " Esta na hora, vamos levá-la para outra sala para conhecermos este rapaizinho que quer nascer!"
E assim foi encaminhada, estava acompanhada do esposo, e pude notar que tinha muitas varizes com trombos nas suas pernas e no decorrer do expulsivo queixava-se de caimbras.
Então sugeri o parto lateral, ela por sua vez aceitou, mudou de posição e disse que não estava mais sentindo tantas caimbras.
Fiz o rompimento da bolsa das águas, e não demorou muito, nasceu o pequeno Leonardo, com 3600kg, choro forte, de parto lateral, colocado imediatamente sob o ventre de sua mãe para o contato pele a pele; A mãe muito serena, o pai ansioso cortou o cordão umbilical onde ligava seu filho a sua esposa...
O pai chorou muito ao ouvir o choro do seu filho, a mãe aliviada passava a mão em sua cabecinha como fosse o primeiro filho...
Pude notar que mesmo tão jovem e com tantos filhos podia ter certeza que todos tinham o seu valor. A cada parto fico grata com tantas experiências... Carrego não só o parto mas a emoção da vida de cada bebê que nasce através de minhas mãos, e pacientes simples que passam por mim, cada uma com sua história de vida.
O ato de dar à luz já deixou de ser algo a esconder, a realidade do parto ganhou mais aceitação e é algo de que muitas mães se orgulham.
E eu como enfermeira obstetra tenho obrigação de poder permitir que ela tenha o seu bebê da forma que quiser...

quinta-feira, 10 de abril de 2014
Salvando uma vida!!!
Hoje dedico meu dia a uma equipe, especialmente há uma colega mais do que isso uma amiga, também enfermeira Obstetra competente! Ela passou por um momento único ao qual, posso dizer que não foi por acaso, Deus permitiu sua presença naquele lugar e no momento certo.
Chegou na triagem do Hospital uma mãe em expulsivo, porém tudo poderia ser tranquilo, já que expulsivo não há muito o que fazer, pois bebês nascem sozinhos, eu sempre digo somos apenas "goleiros" esperando eles saírem para poder segurá-los.
Porém o expulsivo era de um bebê pélvico, já com metade do corpo exteriorizado, então tinha que finalizar este parto. A equipe médica e de enfermeiras foram chamadas com urgência, e lá estava a minha amiga enfermeira obstetra.
Mas o problema do parto pélvico é cujo os pés e nádegas saírem primeiro, mas a cabeça, maior que o esperado, ficar presa no canal ósseo do parto causando uma saída traumática, então isso foi o que aconteceu, a plantonista com experiência, fez as manobras do parto pélvico e ao retirar o bebê foi logo detectado que o recém-nascido não tinha batimentos cardíacos!
Toda equipe triste, mas a enfermeira ao examinar juntamente com o neonatologista, pode notar que o bebê tinha batimentos cardíacos, fracos porém presentes. Iniciou imediatamente a massagem cardíaca e encaminhou este feto sobre o ventre da mãe com rapidez para o setor, já que teria que pegar um elevador.
No momento ela relata " Meu Deus está vivo, tenho que ajudar..." e assim fez, salvou uma vida!Parabéns equipe!
terça-feira, 8 de abril de 2014
Grávidas protestam a favor do parto humanizado: 'não é frescura'
Fonte: http://g1.globo.com/
Um protesto a favor da humanização do parto foi realizado na manhã deste domingo (6) emSantos, no litoral de São Paulo. A manifestação, que foi organizada por meio de uma rede social e a princípio reuniria apenas gestantes, foi estendida às famílias das grávidas, e contou com a participação de maridos, filhos pequenos e até avós.
Patrícia e Natália participaram do protesto
(Foto: Jéssica Bitencourt / G1)
Um protesto a favor da humanização do parto foi realizado na manhã deste domingo (6) emSantos, no litoral de São Paulo. A manifestação, que foi organizada por meio de uma rede social e a princípio reuniria apenas gestantes, foi estendida às famílias das grávidas, e contou com a participação de maridos, filhos pequenos e até avós.
Os participantes se concentraram na Praça da Independência, às 10h. Lá, iniciaram uma caminhada até a Casa de Saúde de Santos, na Avenida Conselheiro Nébias, local escolhido por ter anunciado o fechamento do pronto-socorro obstétrico a partir de maio, interrompendo os atendimentos emergenciais no hospital. Dois dias após o anúncio, uma grávida em trabalho de parto teve o atendimento negado em um primeiro momento, mas o hospital acabou voltando atrás e realizando o parto.
De acordo com a organizadora do protesto, a jornalista e professora de yoga Adriana Vieira, a estrutura para o atendimento às gestantes da Baixada Santista é precária. “A maternidade do Hospital Beneficência Portuguesa fechou no ano passado, e agora tivemos esse problema com a Casa de Saúde. Se não for tomada uma providência do poder público, mulheres e bebês vão acabar morrendo. É isso que nós tentamos evitar”, esclarece.
A lista de reivindicações das grávidas é longa, mas todos os itens estão relacionados ao parto humanizado (ou parto normal). Adriana conta que os hospitais, principalmente da cidade, criam restrições para as gestantes que não têm cesáreas marcadas. “O trabalho de parto é um processo demorado. As mulheres em geral têm medo da dor, mas há maneiras de dar segurança para a grávida, como o contato com o marido na hora do parto. A presença da doula, que é uma auxiliar da grávida, também é essencial, mas muitos hospitais barram a entrada delas”, diz Adriana.
Alguns aparelhos também auxiliam as parturientes no processo. “A bola de pilates, o chuveiro ou uma banheira de água quente são importantes no trabalho de parto”, explica a organizadora do protesto. Mas, o uso de alguns destes métodos também é vetado pelas maternidades. “Querem que a gente fique deitada na cama tomando soro, mas é errado”, acrescenta a jornalista.
(Foto: Jéssica Bitencourt / G1)
Resultados
A manifestação realizada nesta manhã é o primeiro passo que as gestantes deram em busca dos seus direitos. Patrícia Simões, uma das grávidas que participou do protesto, avisa que o próximo encontro das futuras mamães será na Câmara Municipal. “Em uma audiência pública, com a presença de representantes das unidades hospitalares da cidade e de autoridades. Queremos que tomem providências”, diz. A reunião será no próximo dia 15.
A manifestação realizada nesta manhã é o primeiro passo que as gestantes deram em busca dos seus direitos. Patrícia Simões, uma das grávidas que participou do protesto, avisa que o próximo encontro das futuras mamães será na Câmara Municipal. “Em uma audiência pública, com a presença de representantes das unidades hospitalares da cidade e de autoridades. Queremos que tomem providências”, diz. A reunião será no próximo dia 15.
A grávida Natália Peres também esteve no protesto. Para ela, os resultados vão aparecer em longo prazo. “É uma questão de conscientização. Muitas pessoas não entendem a nossa luta por falta de informação, dizem que o uso dos aparelhos é frescura. É um tipo de preconceito”, completa.
O PARTO HUMANIZADO E O DIREITO DE ESCOLHA DA MULHER
Fonte: 19 Jan 2014 . 10:30 h . Clarice Manhã . portal@d24am.com
Gestantes esbarram na dificuldade de encontrar profissionais com disponibilidade e reclamam da ‘indução’ à intervenção cirúrgica. Para médicos, procedimento não compensa.
Manaus - Mesmo sendo o Estado com maior número de partos domiciliares do Brasil, hoje o Amazonas está no topo do ranking na realização de cesáreas, contrariando a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS). As mães que optam pelo nascimento natural esbarram na dificuldade de encontrar profissionais com disponibilidade e reclamam da ‘indução’ à intervenção cirúrgica nos consultórios médicos.
Uma pesquisa da Agência Nacional de Saúde (ANS) mostrou que 70% das gestantes chegam aos consultórios com o desejo de dar à luz pelo parto normal. Mas, no último trimestre da gravidez, somente 30% delas mantém a decisão. A rede pública em Manaus registra em torno de 40% de nascimentos via cesárea. Nos hospitais particulares, este índice sobe para 60%, segundo dados do Ministério da Saúde. A OMS recomenda a intervenção cirúrgica para apenas 15% dos casos.
Dados do Ministério da Saúde mostram que as mulheres submetidas à cesariana têm 3,5 vezes mais probabilidade de morrer no parto e cinco vezes mais chances de ter infecção no aparelho genital depois do nascimento do bebê. Além disso, a prática de agendamento da cirurgia aumenta o risco de nascerem bebês prematuros.

Gestantes esbarram na dificuldade de encontrar profissionais com disponibilidade e reclamam da ‘indução’ à intervenção cirúrgica. Para médicos, procedimento não compensa.
Manaus - Mesmo sendo o Estado com maior número de partos domiciliares do Brasil, hoje o Amazonas está no topo do ranking na realização de cesáreas, contrariando a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS). As mães que optam pelo nascimento natural esbarram na dificuldade de encontrar profissionais com disponibilidade e reclamam da ‘indução’ à intervenção cirúrgica nos consultórios médicos.
Uma pesquisa da Agência Nacional de Saúde (ANS) mostrou que 70% das gestantes chegam aos consultórios com o desejo de dar à luz pelo parto normal. Mas, no último trimestre da gravidez, somente 30% delas mantém a decisão. A rede pública em Manaus registra em torno de 40% de nascimentos via cesárea. Nos hospitais particulares, este índice sobe para 60%, segundo dados do Ministério da Saúde. A OMS recomenda a intervenção cirúrgica para apenas 15% dos casos.
Dados do Ministério da Saúde mostram que as mulheres submetidas à cesariana têm 3,5 vezes mais probabilidade de morrer no parto e cinco vezes mais chances de ter infecção no aparelho genital depois do nascimento do bebê. Além disso, a prática de agendamento da cirurgia aumenta o risco de nascerem bebês prematuros.
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