As dores do parto

A dor -
Tão desprestigiada nos tempos modernos - é necessária ao recolhimento. A dor permite que nos desliguemos do mundo pensante, percamos o controle e esqueçamos as condutas corretas. A dor é nossa amiga. Para entrar no túnel de desprendimento do bebê, é indispensável abandonar mentalmente o mundo concreto. Parir é passar de um estágio a outro. É uma ruptura espiritual. E, como qualquer ruptura, dói. O parto não é uma doença a ser curada. É uma passagem para outra dimensão. Por mais que não gostemos da palavra "dor", é pertinente dizer que a dor do parto é SUPORTÁVEL, desde que esse não seja induzido, não tenham nos ministrado ocitocina sintética para acelerar as contrações e estejamos acompanhas e cuidadas.
No entanto, não é possível suportar o sofrimento. É importante esclarecer que as mulheres não sofrem por causa das contrações. SOFREM QUANDO FICAM SOZINHAS, HUMILHADAS, MALTRATADAS, AMEAÇADAS OU ATEMORIZADAS. E ninguém merece passar por isso.
Se soubéssemos que o parto não é apenas um ato físico que começa com as contrações uterinas e termina com o nascimento de um bebê e o desprendimento da placenta, mas que é sobretudo uma experiência mística, pensaríamos nele de outra maneira. Como fato sexual, temos o direito de vivê-lo na intimidade, com profundo respeito, em consonância com a nossa história, as nossas necessidades e os nossos desejos pessoais. "Intimidade" significa estar conectadas com nosso ser profundo, sem avaliações externas do que é "bom" ou "mau". Cada parto deveria ser diferente e único. O parto deveria ser nosso.
No entanto, isso só é possível quando alguém nos ampara. Quando contamos com um acompanhamento amoroso por parte de profissionais ou de seres queridos dispostos a cuidar de nós e estar à nossa disposição. Por isso, é imprescindível escolher a melhor companhia para esta viagem. Não nos conformemos com o que "todo mundo escolhe", com os médicos da moda ou famosos. Pelo contrário, precisamos avaliar quem está disposto a cuidar da gente envolvendo-se generosamente, não importa se forem assistentes ou acompanhantes afetivos.
Se soubéssemos que o parto não é apenas um ato físico que começa com as contrações uterinas e termina com o nascimento de um bebê e o desprendimento da placenta, mas que é sobretudo uma experiência mística, pensaríamos nele de outra maneira. Como fato sexual, temos o direito de vivê-lo na intimidade, com profundo respeito, em consonância com a nossa história, as nossas necessidades e os nossos desejos pessoais. "Intimidade" significa estar conectadas com nosso ser profundo, sem avaliações externas do que é "bom" ou "mau". Cada parto deveria ser diferente e único. O parto deveria ser nosso.
No entanto, isso só é possível quando alguém nos ampara. Quando contamos com um acompanhamento amoroso por parte de profissionais ou de seres queridos dispostos a cuidar de nós e estar à nossa disposição. Por isso, é imprescindível escolher a melhor companhia para esta viagem. Não nos conformemos com o que "todo mundo escolhe", com os médicos da moda ou famosos. Pelo contrário, precisamos avaliar quem está disposto a cuidar da gente envolvendo-se generosamente, não importa se forem assistentes ou acompanhantes afetivos.
(Laura Gutman, em "Mulheres Visíveis, Mães Invisíveis")
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